Árvore de Natal e altura da vítima: veja contradições apontadas por perícia no caso de PM morta
23/03/2026
(Foto: Reprodução) Árvore de Natal e altura da vítima: veja contradições apontadas no caso de PM morta
A perícia técnica apontou uma série de contradições na versão apresentada pelo tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Neto sobre a morte da esposa, a policial militar Gisele Alves, de 38 anos, encontrada baleada dentro do apartamento do casal, em São Paulo, no dia 18 de fevereiro. Os laudos reforçam a suspeita de que a cena do crime foi manipulada e colocam em dúvida a hipótese de suicídio defendida pelo oficial.
Entre os principais pontos destacados pelos peritos estão a posição da arma, a altura da vítima e a presença de uma árvore de Natal na sala, elemento que, segundo os socorristas, impediria a visualização do corpo da forma como o tenente-coronel relatou.
De acordo com o depoimento de Geraldo Neto, ele estaria tomando banho quando ouviu um barulho. Ao abrir a porta do banheiro, teria visto a esposa caída no chão da sala, com um ferimento causado por disparo de arma de fogo na cabeça. O policial afirmou ainda que a arma ficava guardada em cima do guarda-roupa, no quarto.
A perícia, no entanto, concluiu que Gisele não teria altura suficiente para alcançar a arma onde, segundo o marido, ela era mantida.
Outro ponto considerado decisivo pelos investigadores é uma árvore de Natal montada na sala do apartamento, segundo relatos dos socorrista. De acordo com a perícia, a posição em que o objeto estava não permitira que o tenente-coronel conseguisse enxerga da porta do banheiro a mulher caída no chão.
Além disso, houve um intervalo de quase 30 minutos entre o horário em que uma vizinha afirmou ter ouvido o tiro, por volta das 7h28, e a primeira ligação feita por Geraldo Neto, registrada às 7h55. Segundo a investigação, a primeira chamada não foi para o socorro, mas para o comandante do oficial. Para a polícia, esse intervalo pode ter sido usado para alterar a cena do crime.
Segundo Osvaldo Nico Gonçalves secretário de Segurança Pública de SP, as primeiras pessoas que atenderam à ocorrência foram fundamentais para o esclarecimento do caso.
"Eles não se intimidaram porque era um tenente coronel que estava lá, eles passaram a informação correta do que eles viram aos seus superiores", afirmou ao Fantástico.
LEIA TAMBÉM:
Novas imagens das câmeras corporais da PM mostram as reações do tenente-coronel Geraldo Neto após chegada da polícia
Árvore de Natal e altura da vítima: veja contradições apontadas por perícia no caso de PM morta
Reprodução/TV Globo
Mesmo após o disparo, Geraldo Neto insistiu em tomar banho, apesar de alertas dos colegas de que isso poderia comprometer a investigação. A perícia encontrou vestígios de sangue no box do banheiro, em uma toalha e na bermuda usada por ele, reforçando a suspeita de tentativa de eliminar provas.
Com base na análise do local, nos vestígios encontrados e na trajetória do tiro, os peritos afirmam que o disparo não foi compatível com suicídio. A conclusão é de que Gisele foi segurada por trás e baleada do lado direito da cabeça, próximo à porta da varanda do apartamento.
Geraldo Neto foi denunciado pelo Ministério Público e se tornou réu por feminicídio e fraude processual. A acusação sustenta que, além de matar a esposa, ele teria manipulado a cena do crime para simular um suicídio. Em depoimento, o tenente-coronel manteve a versão de que Gisele tirou a própria vida.
A investigação também identificou indícios de um histórico de violência doméstica, incluindo violência psicológica, moral e financeira. Mensagens obtidas pela Polícia Civil mostram que era Gisele quem manifestava o desejo de se separar, contrariando a versão apresentada pelo marido de que pretendia encerrar o relacionamento.
O caso ganhou ainda novos desdobramentos com denúncias de assédio sexual e moral feitas por outras policiais militares contra o tenente-coronel, que agora também são apuradas pela Corregedoria da PM.
Novas denúncias surgem contra o tenente-coronel
Reprodução/TV Globo
Para a família de Gisele, as conclusões da perícia e o avanço das investigações representam um passo importante.
"É um sentimento que ameniza um pouco a dor. Claro, não sana dor, mas é gratificante para a família que está público e notório que ele que cometeu o feminicídio em desfavor da Gisele", afirmou o advogado dos parentes da vítima.
Caso da PM morta em São Paulo.
Fantástico
Veja a reportagem completa no vídeo abaixo:
Os detalhes que transformaram o tenente-coronel em réu pelo feminicídio da PM Gisele Alves
Ouça os podcasts do Fantástico
ISSO É FANTÁSTICO
O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo.