(Foto: Reprodução) BRB não divulga dentro do prazo o balanço do ano passado
O BRB não divulgou dentro do prazo o balanço de 2025. O banco teve um prejuízo bilionário depois de negociações com o Master.
A regra para as companhias de capital aberto é que as demonstrações financeiras anuais devem ser divulgadas em até três meses. No caso do balanço de 2025, o prazo vai até 31 de março.
No fim do dia, o BRB divulgou um fato relevante, um comunicado ao mercado, em que informa que a publicação será postergada em razão da necessidade de conclusão dos trabalhos da auditoria forense contratada pelo banco para apuração dos eventos relacionados à Operação Compliance Zero, bem como da adequada avaliação, pela administração da companhia e pelo auditor independente, de seus potenciais impactos. O BRB também comunicou a convocação de uma Assembleia Geral Extraordinária para 22 de abril, para votar medidas de ampliação do capital do banco — o que pode ajudar a recuperar o patrimônio do BRB.
Um atraso na divulgação do balanço pode gerar, em um primeiro momento, multa da Comissão de Valores Mobiliários, e o Banco Central deve pedir explicações ao BRB.
Em março de 2025, o BRB tentou comprar parte do banco de Daniel Vorcaro, mas o BC vetou a operação. Além disso, a Polícia Federal investiga a compra pelo BRB de mais de R$ 12 bilhões em carteiras do Master com indícios de fraude.
BRB não divulga balanço de 2025 dentro do prazo
Jornal Nacional/ Reprodução
Um documento interno do BRB revela que, após o anúncio da intenção de comprar o Master, uma equipe técnica do Banco de Brasília identificou dados fictícios e sinais de fraude nas informações prestadas pelo Master, mas as negociações não foram interrompidas.
As carteiras de crédito são conjuntos de valores que o banco tem a receber - de contratos de empréstimos, por exemplo. É comum no mercado a venda de carteiras entre instituições. Mas, no caso do Master, faltavam comprovantes de que os empréstimos e os descontos do consignado repassados ao BRB tinham sido de fato contratados.
Quando o grupo de trabalho começou a questionar esses indícios de fraude, a equipe do Master cancelou reuniões e não esclareceu as pendências. Segundo um documento do BRB, os funcionários do Master mostravam “pouco conhecimento” sobre as carteiras de crédito adquiridas pelo banco e repassadas ao BRB.
Para tentar recompor o capital do banco depois do prejuízo com as operações com o Master, o BRB pediu um empréstimo de R$ 4 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos. O FGC está analisando o pedido.
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