BRB x Master: oposição no DF protocola pedidos de impeachment de Ibaneis Rocha
23/01/2026
(Foto: Reprodução) Dono do Banco Master diz à PF que conversou com Ibaneis Rocha sobre venda ao BRB
A oposição ao governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), protocolou nesta sexta-feira (23) dois pedidos de impeachment do político por crimes de responsabilidade supostamente cometidos nas negociações entre o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master.
Os pedidos foram protocolados na Câmara Legislativa do DF, como prevê a lei, e terão de passar por um longo caminho até ser, eventualmente, votado em plenário (veja detalhes abaixo).
A primeira decisão cabe ao presidente da Casa, Wellington Luiz (MDB-DF) – aliado e colega de partido de Ibaneis. Sem o aval do político, esses pedidos de impeachment nem começam a tramitar.
Assinam um dos pedidos:
quatro membros do PSB-DF: Rodrigo Dias, Rodrigo Rollemberg, Ricardo Capelli e Leonardo Pinheiro;
o presidente do Cidadania-DF, Cristovam Buarque;
dois advogados: Rodrigo Pereira e Lynecker Juliano.
O outro pedido de impeachment foi protocolado pelo diretório do PSOL no DF e é assinado pela presidente regional da sigla, Giulia Tadini.
Ibaneis Rocha, governador do DF
Renato Alves/Agência Brasília
➡️Ao longo de 2025, o BRB tentou comprar boa parte do Master. A operação contou com apoio público de Ibaneis e do governo do DF, acionista controlador do banco público, mas foi barrada pelo Banco Central.
➡️O Banco Central determinou a liquidação extrajudicial do Banco Master após suspeitas de fraude na venda de carteiras de crédito do Master para o BRB no valor de R$ 12,2 bilhões.
➡️O BRB injetou R$ 16,7 bilhões no Banco Master entre 2024 e 2025 — e o Ministério Público vê indícios de gestão fraudulenta nessas transferências.
Nesta sexta, Ibaneis confirmou à TV Globo que se reuniu pelo menos quatro vezes, entre 2024 e 2025, com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro – mas negou que tenha discutido a compra do Master pelo BRB nesses encontros.
O que dizem os pedidos?
Os pedidos de impeachment buscam responsabilizar Ibaneis Rocha em frentes como:
atos de improbidade administrativa;
suposta gestão temerária de instituição financeira, nos termos da Lei 7.492/1986
possíveis crimes contra as finanças públicas e
condutas enquadradas como crimes de responsabilidade.
O pedido dos partidos PSB e Cidadania afirma que a tentativa de compra do Banco Master pelo BRB não tinha como objetivo fortalecer a instituição adquirida, mas sim ocultar um suposto passivo relevante do Master dentro de uma estrutura pública.
A análise sustenta que o caso vai além de falhas de gestão, indicando um modelo que transformaria possíveis fraudes privadas em risco para o setor público, com impactos financeiros, institucionais e políticos.
Ainda segundo o pedido, a postura do governador, ao politizar a decisão técnica do Banco Central e atribuir a rejeição da operação a supostas interferências partidárias, ao invés de determinar apuração interna das irregularidades, configura omissão dolosa e conivência com os atos de gestão fraudulenta praticados pela alta direção do BRB.
Relembre a declaração dada por Ibaneis em novembro de 2025 em defesa do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa:
Ibaneis defende ex-presidente do BRB e diz que erros foram 'excesso de confiança'
"Sua inércia deliberada, aliada às manifestações públicas em defesa da operação questionada, caracteriza violação aos princípios da legalidade, moralidade administrativa e eficiência", destaca o documento.
A omissão em suspender imediatamente as transferências de recursos ao Banco Master, apesar dos alertas do órgão regulador, é apontada como uma falha grave no dever de cautela do gestor público.
Segundo a análise, essa conduta caracterizaria violação aos princípios da administração pública e configuraria ato de ato de improbidade administrativa, entre eles:
Uso de dinheiro público sem cumprir as exigências legais
Aquisição por preço superior ao de mercado
Operações financeiras sem observância das normas legais e regulatórias
Enriquecimento ilícito de terceiro.
O documento destaca ainda que Ibaneis Rocha, não se manteve em posição institucional neutra ou distante, mas atuou ativamente, em tentativas de viabilização institucional e posterior sustentação financeira da operação.
"Tal circunstância reforça a conclusão de que havia, no mínimo, ciência prévia e acompanhamento contínuo das decisões que expuseram o banco público a risco elevado", sinaliza o documento.
O pedido destaca três possibilidades de responsabilização:
No plano político-administrativo, avalia se o governador nomeou dirigentes sem a devida qualificação técnica, se manteve gestores mesmo após sinais claros de irregularidade ou se permitiu que decisões técnicas fossem contaminadas por objetivos políticos;
No campo da improbidade administrativa, considera‑se se houve intenção ou aceitação consciente do risco de causar dano ao patrimônio público, o que pode gerar sanções como multa, perda de direitos políticos e ressarcimento;
Já no controle externo, exercido pelos Tribunais de Contas, verifica‑se a existência de falhas de governança ou omissões relevantes, podendo resultar em multas, determinações de correção e apontamento de irregularidades, mesmo sem caracterização de crime.
O BRB informou que o GDF já sinalizou que pode fazer um "aporte direto" para cobrir os possíveis prejuízos gerados por transações com o banco Master
Como funciona o impeachment?
Para seguir na Câmara Legislativa do DF, o processo de impeachment deve passar por algumas etapas. Veja quais são abaixo:
A denúncia deve ser aceita pelo presidente da Casa, cargo atualmente ocupado pelo distrital Wellington Luiz (MDB).
Em seguida, o pedido deve ser lido em Plenário.
Uma Comissão Especial deve ser criada, com representantes de todos os partidos. O reunião deve ocorrer até 48 horas após a leitura da denúncia em Plenário e emitir um parecer em até dez dias.
O parecer será votado em Plenário 48 horas após a sua publicação. Cinco representantes de cada partido poderão falar, durante uma hora, sobre o documento. Em seguida, será tomada uma decisão sobre o prosseguimento ou não da denúncia.
Caso a decisão seja pela continuidade do processo de impeachment, o denunciado tem 20 dias para oferecer defesa.
Recebida a defesa, a Comissão Especial passa para a produção de provas e realização de diligências e, em dez dias, decide sobre a acusação.
Após a publicação do último parecer, os deputados distritais devem realizar duas discussões sobre a denúncia, com um intervalo de 48 horas entre as duas.
Encerrada a discussão, o parecer é submetido à votação nominal. O parecer deve ser aprovado por 2/3 dos membros da CLDF.
Pedido de investigação ao MPF
O gabinete do deputado Fábio Félix (PSOL) pediu, nesta sexta-feira (23), uma investigação ao Ministério Público Federal (MPF) sobre atuação do governador Ibaneis Rocha (MDB) por supostas irregularidades na tentativa de compra do banco Master.
O documento, endereçado ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, pede também o bloqueio de bens do governador do DF.
O texto afirma que a transação bilionária avançou com o apoio político, mesmo com alertas regulatórios e depois com a rejeição do Banco Central. Além dos dois pedidos anteriores, o documento solicita:
coleta de provas e depoimentos pela Polícia Federal
acesso a documentos de relatórios de risco, auditorias do BRB
responsabilização dos outros envolvidos
apresentação da denúncia, caso os crimes sejam confirmados, ao Superior Tribunal de Justiça (STJ)
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