Chanceler do Irã desmente Trump sobre contatos e diz que não negociará com os EUA sob ameaças
28/01/2026
(Foto: Reprodução) Irã: ONU abre investigação e pede 'fim da repressão'
O chanceler do Irã afirmou nesta quarta-feira (28) que Teerã não negociará com os Estados Unidos sob ameaças e desmentiu Donald Trump sobre tratativas recentes entre os dois países. A fala ocorre em meio a uma escalada militar e de pressão do governo Trump contra o regime Khamenei.
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“Conduzir a diplomacia por meio de ameaças militares não pode ser eficaz nem útil. Se eles querem que as negociações avancem, certamente precisam deixar de lado ameaças, exigências excessivas e a colocação de questões ilógicas”, disse Abbas Araghchi após os Estados Unidos deslocarem um porta-aviões para a região.
Aragchi também desmentiu o presidente dos EUA, Donald Trump, que havia dito na terça-feira que o Irã quer negociar e que o governo iraniano já teria "ligado várias vezes". Em declarações transmitidas pela TV estatal, o chanceler afirmou que não houve "nenhum contato" nos últimos dias com o enviado especial dos EUA para o Oriente Médio, Steve Witkoff, e que "o Irã não buscou negociações". "Não se pode falar em diálogo em um ambiente de ameaças", disse.
A fala do chanceler iraniano ocorre em meio a uma pressão militar norte-americana contra Teerã. O grupo de ataque do porta-aviões USS Abraham Lincoln chegou ao Oriente Médio na segunda-feira para aumentar a pressão sobre o regime de Ali Khamenei, e Trump disse que "outra bela armada" navega em direção à região. Leia mais abaixo.
Escalada militar dos EUA contra o Irã
Os porta-aviões USS Abraham Lincoln e um B-52H Stratofortress da Força Aérea dos Estados Unidos realizaram manobras conjuntas em junho de 2019
Brian M. Wilbur/Forças Armadas dos EUA
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (27) que outro grupo de navios de guerra norte-americanos está a caminho do Irã. O objetivo é pressionar Teerã sobre um acordo que limite programa nuclear iraniano.
“Há outra bela armada flutuando em direção ao Irã neste momento”, disse Trump durante um discurso. “Espero que eles façam um acordo.”
A declaração ocorre um dia depois de o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) informar que o grupo de ataque do porta-aviões USS Abraham Lincoln chegou ao Oriente Médio. A movimentação reforçou a presença militar americana na região em meio ao aumento das tensões com o Irã.
O porta-aviões e os navios que o acompanham foram enviados enquanto o governo iraniano reprimia manifestações em larga escala. Apesar de não ter avançado com uma ação militar direta contra o Irã, Trump insiste que todas as opções continuam sobre a mesa.
Na semana passada, Trump disse que navios de guerra americanos estavam sendo enviados “por precaução” e que acompanhava de perto a situação no país. “Vamos ver o que acontece”, afirmou à época.
Segundo o Centcom, o grupo liderado pelo Abraham Lincoln tem como missão impedir ações desestabilizadoras e proteger interesses americanos na região. O comando coordena operações militares dos EUA no Oriente Médio e em partes da Ásia Central.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baqai, criticou uma eventual intervenção estrangeira e afirmou que o país confia “em suas próprias capacidades”.
“A chegada de um navio de guerra desse tipo não afetará a determinação e a seriedade do Irã em defender a nação”, disse, em referência ao USS Abraham Lincoln.
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