Com síndrome rara e paralisia cerebral, filhos concluem corrida Phelippe Daou com os pais em RR
31/01/2026
(Foto: Reprodução) Anna Clara e Joaquim Lorenzo concluíram a corrida Phelippe Daou com os pais em Roraima.
Yara Ramalho/g1 RR
Entre corredores, coragem e superação são termos comuns. Mas, no caso de Anna Clara Câmara, de 15 anos, e Joaquim Lorenzo, de 8, essas palavras também estão ligadas à inclusão. Com os pais, os dois concluíram a Corrida Phelippe Daou, realizada neste sábado (31), em Boa Vista. Anna tem síndrome de Rett, uma condição rara, e Joaquim tem paralisia cerebral.
Promovida pela Rede Amazônica, a corrida reuniu centenas de atletas. O evento homenageia o jornalista e fundador da Rede Amazônica, Phelippe Daou.
✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp
Anna Clara ficou em primeiro lugar entre atletas da categoria de pessoas com deficiência. Ao lado do pai, o motorista de aplicativo Janilson Franco Câmara, de 56 anos, ela conquistou a 162ª medalha e o 24º troféu na carreira.
A atleta participa de corridas desde 2019, sempre acompanhada do pai, que empurra a cadeira durante as provas. Por causa da síndrome, que afeta o desenvolvimento e o sistema nervoso, ela não anda e nem fala.
Ana Clara com o pai Janilson, a mãe Anne Raquel e a irmã após vencer a Corrida Phelippe Daou em Boa Vista (RR).
Yara Ramalho/g1 RR
Janilson contou ao g1 que participar de mais uma corrida com a filha foi especial e contribui para a qualidade de vida dela.
"Ela fez 15 aninhos agora e para mim, como pai, é o que a gente pode fazer para ela, dar a ela essa qualidade de vida, é inserir ela na sociedade. Porque a gente sabe que a sociedade hoje, se você não fala, não anda para a sociedade você não tem nenhum significado. E o que a gente tenta fazer com ela é isso [dar qualidade de vida]", contou.
"É um motivo de orgulho e enquanto eu tiver perna e tiver fôlego, estaremos aí", ressaltou Janilson.
LEIA TAMBÉM:
Corrida Phelippe Daou: confira o pódio de todas as modalidades da 1ª edição em Roraima
Anna não foi a única cadeirante na prova. Joaquim também participou com o pai, Enderson Rodrigues Júnior, de 27 anos, e descreveu a experiência como emocionante.
"Foi legal, foi emocionante e eu gostaria de correr mais", disse Joaquim, enquanto comia um picolé para se refrescar após a corrida.
Joaquim Lorenzo após a corrida Phelippe Daou em Boa Vista (RR).
Yara Ramalho/g1 RR
Joaquim e o pai praticam o esporte há cerca de três anos. Naturais de Roraima, o pequeno e a família moram no Rio Grande do Sul, onde ele participa de um projeto para crianças e adolescentes com deficiência. Durante férias em Roraima, pai e filho aproveitaram para participar da prova.
Segundo Enderson, o calor dificultou a prova, mas correr em Roraima foi significativo para os dois.
"Foi um pouco difícil por conta do calor, mas foi bom para mim e para ele. Ele foi me incentivando, porque eu estava sentindo o joelho. De modo geral, [isso é] para ele, para ele ver como que funciona, que nem sempre a gente é o primeiro a chegar, mas é uma forma de estar incluso também, participando'", disse Enderson, que é estudante de educação física.
Joaquim Lorenzo, o pai Enderson, a mãe Luana e a irmã Joana após a Corrida Phelippe Daou em Boa Vista (RR).
Yara Ramalho/g1 RR
Corrida Phelippe Daou em Boa Vista
A primeira edição da Corrida Phelippe Daou reuniu centenas de atletas neste sábado (31), em Boa Vista, e marcou a estreia do evento no calendário esportivo de Roraima.
Com percurso desafiador e trechos de subida, a prova premiou os melhores colocados nas categorias geral masculino, feminino, idoso feminino e masculino e PCD feminino e masculino.
Corrida Phelippe Daou marca 51 anos da presença da Rede Amazônica em Roraima
Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.