Deputados estaduais denunciam corte de R$ 1,5 bilhão em investimentos em saúde em quatro anos; governo nega
26/05/2026
(Foto: Reprodução) Deputados estaduais apresentaram relatório com denúncias sobre a saúde pública em Pernambuco
Reprodução/TV Globo
Um grupo de deputados estaduais da oposição apresentou, nesta terça-feira (26), um relatório com uma série de denúncias sobre a saúde pública de Pernambuco. Segundo os parlamentares, o estado reduziu em R$ 1,5 bilhão os investimentos na área desde 2022, último ano da pandemia de Covid-19. O documento cita queda na oferta de leitos, superlotação e estrutura precária nos hospitais.
Questionada sobre o assunto, a governadora Raquel Lyra (PSD) negou que tenha havido cortes, mas não informou o total de valor investido nos últimos quatro anos (saiba mais abaixo).
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Os dados foram apresentados durante uma entrevista coletiva na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). Presidente da Comissão de Saúde da Casa, o deputado Sileno Guedes (PSB) disse que os números têm como base relatórios enviados a cada quatro meses pela Secretaria Estadual de Saúde (SES) ao Poder Legislativo.
De acordo com o parlamentar, com a diminuição nos investimentos, houve redução de leitos e o fechamento de três unidades hospitalares, o Hospital Jesus Nazareno, em Caruaru, no Agreste; o Hospital de Retaguarda em Neurologia, no Recife; e o Hospital Central de Paulista, na Região Metropolitana.
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"O que a gente está constatando aqui é justamente o colapso da saúde pública de Pernambuco pela redução de investimentos, fechamentos de unidades públicas de saúde e redução de leitos (...). Esse é o quadro que a gente encontra aqui em Pernambuco, a partir de relatórios oficiais que têm mostrado o resultado. A gente tem visto hospitais com superlotação, por falta de investimento, e, sobretudo, a população sofrendo no atendimento", afirmou o deputado.
Mesmo o governo de Pernambuco cumprindo o mínimo constitucional de 12% para investimentos na Saúde, o deputado alega que a redução nos gastos foi de 3%, o que causou superlotação e precarização estrutural em hospitais da rede estadual. O relatório aponta uma diminuição de 226 leitos entre 2022 e 2026.
Segundo o levantamento, os investimentos na área caíram de 18,8% da receita corrente líquida do estado, em 2022, para 17,4% em 2023. Em seguida, a queda foi de 15,7% em 2024 e 15,8% em 2025.
"Existe a execução orçamentária e, a partir desses dados da execução orçamentária, se constata a redução. Nós tínhamos um gasto de aproximadamente 18%, e esse gasto caiu para 15%, uma redução perto dos três pontos percentuais, que corresponde a R$ 1,5 bilhão em aplicação de recursos na saúde. [...] Em dezembro de 2022, era esse o patamar que se aplicava, e agora nós estamos na conclusão de 2025, o patamar que foi apresentado pelo governo do estado foi com essa redução", contou.
De acordo com o vice-presidente da Alepe, Rodrigo Farias (PSB), os dados levantados durante as fiscalizações devem ser encaminhados, na próxima semana, ao Tribunal de Contas do Estado, ao Ministério Público de Pernambuco, ao Conselho Regional de Medicina (Cremepe) e à SES.
"Nós estamos copilando os dados e próxima semana estaremos procurando os órgãos (...) e vamos cobrar providências. Nós, como deputados estaduais eleitos pelo povo de Pernambuco, estamos cumprindo o nosso papel de fiscalização, de tentar melhoria na qualidade de vida da saúde do povo de Pernambuco. [...] Quem frequenta os corredores dos hospitais públicos está vendo o caos na saúde pública do estado de Pernambuco", afirmou.
Más condições
Sileno Guedes afirmou também que, no Hospital da Restauração, no bairro do Derby, área central do Recife, recipientes plásticos estariam sendo cortados e utilizados para coletar urina dos pacientes em exames.
"Recebemos várias informações de pacientes e servidores do hospital, que a gente tem recebido na Comissão de Saúde, nos nossos gabinetes, diversas informações dessa natureza. Aquela imagem veio acompanhada do áudio, onde a pessoa mostrava que estava se adaptando um recipiente para a coleta de urina", informou.
Além disso, o relatório informa que, a partir de um documento do sistema eletrônico de informação do estado, no Hospital Agamenon Magalhães, no bairro de Casa Amarela, Zona Norte da capital, foi encontrada a presença de fezes e urina de ratos em área de armazenamento de equipamentos médicos.
"Um setor da Secretaria de Saúde, comunicando ao setor responsável, as condições de um determinado ambiente no Hospital Agamenon Magalhães. É um relatório assinado pelo profissional, agora no final de fevereiro, comunicando a presença de fezes e urina de roedores caindo em cima de equipamentos de suporte à vida", contou.
O que diz o governo
A governadora Raquel Lyra (PSD) foi questionada sobre o assunto durante uma visita ao Hospital Otávio de Freitas, na Zona Oeste do Recife, onde participou da inauguração de um bloco cirúrgico ambulatorial. Em entrevista coletiva, ela admitiu que há superlotação nos hospitais, mas negou que haja queda de investimentos na rede de saúde.
Ela disse que, em 2025, o governo fez o maior investimento na saúde nos últimos anos. No entanto, não informou quanto a gestão investiu desde 2022.
"Não está do jeito que a gente quer ainda, não, mas não tenha dúvida de que é o maior investimento da história do nosso estado nesses últimos três anos. [...] Não houve redução (de investimentos) [...]. Existe, sim, superlotação de hospitais. [...] Eu não estou querendo aqui terceirizar qualquer responsabilidade, mas o processo de lotação dos hospitais não vem de hoje", declarou.
Também presente no evento, a secretária de Saúde, Zilda Cavalcanti, também negou que tenha tido redução na oferta de leitos nos hospitais públicos do estado. Segundo a gestora, o estado gastou, em 2025, R$ 500 milhões na infraestrutura das unidades.
"Acho que precisa de esclarecimento de detalhes. Por exemplo, foi alegado que a gente fechou leitos na saúde e isso, definitivamente, não corresponde à realidade. Nós tivemos a abertura de 670 novos leitos. Com as reformas, ampliação e construção, que já estão todas em andamento, nós entregaremos 1.500 novos leitos à rede de saúde do estado, de forma regionalizada, descentralizada", disse.
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