Desembargador condenado a se aposentar por assédio tentou beijar e propôs encontro a funcionária terceirizada do TJ-GO
27/02/2026
(Foto: Reprodução) Jovem denuncia que desembargador a assediou com tapa no bumbum e beijo no pescoço
O desembargador do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) aposentado de forma compulsória por assédio sexual, tentou beijar uma funcionária terceirizada do órgão e propôs um encontro com ela fora do tribunal, segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). De acordo com o relator do processo disciplinar contra Orloff Neves Rocha, o desembargador violou os deveres de integridade, dignidade, honra e decoro da magistratura.
O g1 tentou entrar em contato com a defesa do desembargador, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
A denúncia contra o desembargador aconteceu em 2021. Segundo o órgão, no mês de abril daquele ano, cinco dias antes da aposentadoria de Orloff, ele solicitou um atendimento técnico para a formatação do computador que ficava no gabinete dele.
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Quando a jovem, que tinha 22 anos na época, foi realizar o serviço, ela acabou sofrendo o assédio. De acordo com a denúncia, o desembargador abriu os braços para abraçar a vítima, que acabou aceitando o abraço mesmo constrangida. Após isso, Orloff cheirou o pescoço da mulher e tentou beijar a boca dela logo em seguida, puxando a máscara facial que a jovem estava usando.
Também segundo a denúncia lida pelo relator, quando conseguiu se afastar de Orloff, o desembargador ainda deu um tapa no bumbum da jovem.
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O CNJ pontuou que, após o crime, ela contou a situação para os superiores e recebeu apoio, tendo também registrado uma denúncia na delegacia por importunação sexual.
Decisão
Desembargador Orloff Neves Rocha é aposentado compulsoriamente pelo CNJ
Reprodução/TJ-GO
De acordo com a Polícia Civil, Orloff não atuava no cargo desde o ano em que aconteceu a denúncia. Durante a sessão do CNJ para julgar a conduta do desembargador, o conselheiro e relator do processo, João Paulo Schoucair, defendeu que a aposentadoria voluntária de Orloff deveria ser convertida em compulsória. A decisão foi apoiada pela maioria do órgão.
O relator também destacou a importância da palavra da vítima na denúncia, já que ela sofreu a violência em um local reservado.
Jaceguara Dantas, supervisora da Política Nacional de Enfrentamento à Violência contra Mulheres do CNJ, considerou a decisão como uma resposta firme no combate ao assédio e repudiou a postura do desembargador.
“Estamos em 2026 e ainda vemos situações como essa, assim como a violação da vida, da integridade física e psíquica das mulheres”, afirmou.
Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO), em Goiânia, Goiás
Wildes Barbosa/O Popular
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