Em áudio, síndico que matou corretora pedia a moradores para não falar sobre desaparecimento
02/02/2026
(Foto: Reprodução) Áudio: Síndico que matou corretora pediu a moradores para não falar sobre desaparecimento
O síndico que confessou ter matado a corretora de Caldas Novas, no sul de Goiás, enviou um áudio, em um grupo de moradores do condomínio que administrava, em um aplicativo de mensagens, pedindo para não falarem sobre o desaparecimento dela. No áudio fornecido ao g1 pela irmã da vítima, Cleber Rosa de Oliveira, de 49 anos, fala que não quer saber de "fofoca" sobre as investigações do então desaparecimento de Daiane Alves Souza, de 43 anos (ouça no vídeo acima).
"Eu 'tô sabendo desse caso, ontem conversei com alguns membros dessa família. Isso já tá trazendo bastante transtorno para nós aqui (...). E eu vou pedir que cessem esses comentários sobre esse assunto no grupo", afirmou.
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O g1 procurou a defesa de Cleber para se manifestar sobre o áudio, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. Quando foi o síndico preso, a defesa divulgou notas sobre o caso, antes e depois da audiência de custódia, destacando que ele estava colaborando com a polícia (leia as íntegras ao final da reportagem).
Segundo Fernanda Alves, irmã de Daiane, a mensagem de 4 minutos e 49 segundos foi enviada por ele no início de janeiro em um grupo chamado "Amigos do Ametista", em referência ao nome do condomínio. Esse grupo era formado apenas pelos moradores ou proprietários que Cleber considerava estarem do lado dele. "Lá que ele fazia a comunicação toda do condomínio. Depois que resolvia tudo, ele mandava para o resto", contou.
Daiane desapareceu no dia 17 de dezembro. Depois de entrar no elevador do prédio e ir em direção ao subsolo, ela nunca mais foi vista. No dia seguinte, quando a família comunicou o desaparecimento à polícia, começaram as investigações da polícia, de acordo com o delegado André Luiz Barbosa, que preside o inquérito. No dia 28 de janeiro, Cleber foi preso e confessou o crime, levando a polícia até o local onde deixou o corpo.
Quando Cleber gravou a mensagem, portanto, o mistério sobre o paradeiro de Daiane já estava sendo noticiado pela imprensa. No áudio, o síndico definiu os comentários dos moradores como "fofoca" e que o grupo do condomínio não havia sido criado com essa finalidade.
"Se tem uma coisa que eu odeio é fofoca. Eu odeio fofoca, que fique todos sabendo. Não me pergunte sobre vida alheia. Não quero que me contem sobre vida alheia. Não, isso, esse assunto não me interessa", disse.
Cleber Oliveira está preso suspeito da morte da corretora de imóveis Daiane Alves
Arquivo Pessoal/ Fernanda Alves e Wildes Barbosa/O Popular
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Segundo Fernanda, o "Joãozinho" ao qual Cleber se refere no áudio é um morador que não seguiu a ordem dele de colocar informações no grupo sobre o desaparecimento e postou uma reportagem sobre o desaparecimento.
"O João postou uma reportagem. Ele apagou a reportagem e removeu João do grupo. Logo em seguida, ele mandou esse áudio para todo mundo do grupo", disse.
'Não há provas'
Antes de concluir o áudio, Cleber diz para os moradores e proprietários que "não há prova nenhuma" de que Daiane havia desaparecido do prédio.
"Não existe essa prova. Ninguém pode confirmar isso e já está praticamente atribuindo ao prédio uma responsabilidade que ele não tem", afirmou.
Segundo a irmã, quando Cleber fala, no áudio, que havia conversado com a família de Daiane, ele se refere ao questionamento que ela e o outro irmão fizeram sobre as filmagens da câmera da recepção, por que não havia.
"Ele falou assim para nós: que, por conta dos problemas que tinha tido com a Daiane, ele deixou de se importar com as câmeras. Falou que lá tinha um punhado de pontos cegos. E que ela poderia ter saído e ninguém visto", contou Fernanda ao g1.
Em uma outra conversa, com ela e a mãe de Daiane, Nilse Alves Pontes, Cleber pediu que a família não associasse o desaparecimento ao condomínio. "Ele disse que estava pegando mal para o condomínio e que até eu mesma poderia ser prejudicada porque eu tenho apartamento lá", relatou a irmã de Daiane.
Para Fernanda, o áudio é mais um exemplo da frieza com que o síndico agia após o crime. Ela conta que, quando que ele falava com os familiares, após o desaparecimento, os tratava bem. "Tem hora que eu penso assim... na hora em que ele conversou comigo e com o meu irmão, tratou nós com muita educação. Foi muito solícito. Mas a fala fria, né", contou.
Leia a íntegra da nota da defesa de Cleber:
"O escritório Nestor Távora e Laudelina Inácio Advocacia Associada, representando os interesses do Sr. Cleber Rosa de Oliveira, vem informar que os fatos ocorridos em Caldas Novas/GO ainda estão sendo apurados, e o compromisso do Sr. Cléber em contribuir com as autoridades públicas.
Ressalte-se que o Sr. Cleber ainda não foi ouvido pelo delegado responsável e aguarda a realização da audiência de custódia.
Além disso, a defesa salienta que não há qualquer envolvimento do filho Maicon Douglas de Oliveira na morte da Sra. Daiane Alves de Souza'".
Após a audiência de custódia, a defesa divulgou a seguinte nota:
"O escritório Nestor Távora e Laudelina Inácio Advocacia Associada, representando os interesses do Sr. Cleber Rosa de Oliveira, vem informar que a audiência de custódia ocorreu normalmente, bem como a oitiva perante a autoridade policial, sendo que Cleber respondeu a todas as indagações formuladas e segue contribuindo com as investigações".
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