Encontro em Belém debate sobre os direitos da natureza em meio ao avanço do petróleo na Amazônia

  • 17/06/2026
(Foto: Reprodução)
Evento debate direitos de povos tradicionais e proteção de territórios, no Pará Representantes do Ministério Público Federal, lideranças indígenas e quilombolas e um dos principais juristas do mundo sobre direitos da natureza se reuniram na terça-feira (17) em Belém para discutir caminhos na defesa dos povos, territórios e do meio ambiente. O encontro ocorre em um momento considerado estratégico para a Amazônia, em meio aos debates sobre a exploração de petróleo na margem equatorial e o avanço da mineração em territórios tradicionais. A discussão reuniu especialistas nacionais e internacionais em direitos da natureza, além de movimentos sociais, com o objetivo de aproximar conhecimentos jurídicos e saberes tradicionais. ✅ Clique e siga o canal do g1 PA no WhatsApp A proposta é fortalecer a defesa dos rios, das florestas e dos territórios amazônicos diante de grandes empreendimentos e dos desafios socioambientais Moradora do Quilombo do Abacatal, em Ananindeua, Vanuza Cardoso destacou os impactos enfrentados pela comunidade, que tem mais de três séculos de história e sofre com a expansão urbana e obras de infraestrutura. “O progresso que vem, mas que não planeja a vida de quem está no entorno desse progresso. É sim possível que a natureza seja sujeito de direitos, porque a gente só vê a natureza ser violentada, ser agredida”, afirmou a liderança quilombola. Segundo o procurador regional da República Felício Pontes Júnior, o Brasil ainda está atrás de outros países da América Latina no reconhecimento dos direitos da natureza. “O Brasil ainda sai atrasado em relação a outros países da América Latina com relação ao reconhecimento dos direitos da natureza. Hoje o direito brasileiro ainda tenta incorporar saberes desses povos originários para que isso entre no nosso ordenamento jurídico”, disse. Defender a foz do Amazonas é defender o planeta, aponta jurista equatoriano no MPF em Belém. MPF O Equador foi o primeiro país do mundo a reconhecer a natureza como sujeito de direitos, em 2008. Desde então, mais de 50 países passaram a adotar algum tipo de reconhecimento legal dos direitos naturais. Um dos participantes do encontro é o jurista equatoriano Ramiro Ávila Santamaria, considerado uma das maiores autoridades mundiais no tema. Ele integra o movimento que propõe reconhecer ecossistemas como sujeitos de direito. Além do debate, Santamaria visitou povos indígenas do Oiapoque, no Amapá, que enfrentam ameaças relacionadas à exploração de petróleo na foz do Amazonas. A intenção é que o caso seja levado ao Tribunal Internacional dos Direitos da Natureza, uma instância ética que julga governos e corporações por violações ambientais. “As comunidades indígenas têm muitas dificuldades de sobreviver. Elas têm sofrido muito pelo desmatamento, pela falta de proteção, e agora há um sério risco com o petróleo, que afeta todo o ecossistema, que é muito frágil, e as comunidades podem passar fome”, afirmou o jurista. Em meio aos debates sobre o avanço da exploração petrolífera e mineradora em territórios tradicionais, o reconhecimento dos direitos da natureza é apontado como um possível caminho para fortalecer a proteção dos povos e dos ecossistemas. VÍDEOS: veja todas as notícias do Pará Confira outras notícias do estado no g1 PA

FONTE: https://g1.globo.com/pa/para/noticia/2026/06/17/encontro-em-belem-debate-sobre-os-direitos-da-natureza-em-meio-ao-avanco-do-petroleo-na-amazonia.ghtml


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