Entenda fraude em concurso e desvios da educação em caso que investiga delegado e presidente da Câmara de Rio Verde
06/02/2026
(Foto: Reprodução) Presidente da Câmara Municipal de Rio Verde é preso
A prisão do vereador e presidente da Câmara Municipal de Rio Verde, Idelson Mendes (PRD), e de outros investigados de participação em um esquema de fraude e desvios de recursos foi mais um capítulo de uma investigação que já dura mais de três anos. De acordo com investigações do Ministério Público de Goiás (MPGO), o parlamentar estaria envolvido na contratação do Instituto DeltaProto, do delegado Dannilo Proto, para a realização de um concurso público da Câmara.
O g1 procurou as defesas de Dannilo Proto e de Idelson Mendes, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp
Dannilo Proto foi preso em agosto de 2025, suspeito de fraudes em contratações públicas e desvio de recursos destinados a escolas estaduais em Rio Verde. De acordo com o Ministério Público, o esquema teria começado em 2020 e se expandido para a impressão de material didático para distribuição nas escolas estaduais e direcionamento ilícito da contratação de instituto para o certame do legislativo. Na época da prisão, o MPGO afirmou que a estimativa é que esquema tenha desviado mais de R$ 2,2 milhões dos cofres públicos. No mês seguinte, ele foi denunciado à Justiça.
A operação que levou à prisão de Idelson foi a quarta fase da investigação. Segundo o Ministério Público, o objetivo do esquema com a organizadora do concurso, que seria a empresa do delegado, era uma "possível obtenção de vantagem indevida a partir da arrecadação de taxas de inscrição pagas pelos candidatos".
Em fevereiro de 2024, após pedido do MP, a Justiça suspendeu o referido concurso, após a apuração apontar irregularidades na escolha do instituto, contratado de forma direta, sem licitação, pela Câmara de Rio Verde. Quase um ano depois, em março de 2025, a Justiça determinou que tanto a empresa quanto a Câmara deveriam devolver as taxas de inscrição para os candidatos.
Presidente da Câmara de Rio Verde foi preso suspeito de envolvimento em fraudes na área de educação em que delegado foi denunciado em Rio Verde, Goiás
Divulgação/MPGO e Reprodução/Instagram de Iseldon Mendes
LEIA TAMBÉM
Presidente da Câmara de Rio Verde é preso suspeito de envolvimento em fraudes na área de educação em que delegado foi denunciado
Delegado é denunciado por desvio em contratos na área da educação em Rio Verde
Delegado é preso suspeito de desviar R$ 2,2 milhões em contratos na área da educação em Rio Verde
Relação continuou
De acordo com apuração do repórter Cássio Ramos, da TV Anhanguera, mesmo com as investigações em andamento sobre essa contratação, a relação entre Idelson Mendes e Dannilo Proto continuou em pelo menos outros dois contratos, também fraudados, para execução de serviços de limpeza e reparo na fachada da Câmara, além de manutenção de internet.
Em um dos áudios divulgados pela polícia, obtido pela TV Anhanguera, Dannilo fala com o presidente da Câmara que precisava falar sobre uma "situação".
"Eu queria jogo rápido, bater um papo com o senhor, a respeito daquela situação nossa, só para a gente finalizar um alinhamento. O senhor tá indo para a Câmara? Tá ficando lá no gabinete? Ou prefere dar um pulinho aqui no instituto?", disse.
O delegado Dannilo Proto e o presidente da Câmara de Rio Verde, Idelson Mendes, integravam esquema de fraude, segundo o MP
Reprodução/ TV Anhanguera
Além de Idelson, dois servidores da Câmara também foram presos. Segundo apurou o repórter Honório Jacometo, da TV Anhanguera, eles eram responsáveis por licitações e passavam informações sigilosas para o delegado Dannilo Proto, como, por exemplo, o dia da concorrência, o valor do contrato etc. As informações visavam ajudá-lo a vencer as licitações.
📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás.