Entenda o xadrez econômico entre Donald Trump e Xi Jinping

  • 12/05/2026
(Foto: Reprodução)
Entenda o xadrez econômico e militar da viagem histórica de Trump à China O Jornal Nacional está exibindo uma série de reportagens especiais sobre a relação entre os Estados Unidos e a China. As duas maiores potências do século 21 disputam protagonismo em um mundo marcado por guerras, incerteza econômica e mudanças tecnológicas históricas. A viagem do presidente americano à Pequim começa nesta quarta-feira (13). Nesta terça-feira (12), os correspondentes da Globo Felipe Santana e Lucas Louis mostraram um aspecto decisivo nesse jogo: o xadrez econômico entre Donald Trump e Xi Jinping. A própria Casa Branca afirma que a visita de dois dias é uma viagem de negócios, para fechar acordos comerciais. Por isso, Trump leva até Elon Musk, com quem brigou publicamente em junho de 2025. O bilionário é o dono da fabricante de carros elétricos Tesla, da rede social X e agora de uma empresa de robótica. O maior objetivo de Musk, como ele mesmo afirmou em uma reunião para acionistas, são os ímãs. O neodímio é um dos minerais que ficaram conhecidos como terras raras. A China produz e processa esses ímãs. Sem eles, ninguém faz robôs humanoides. Para Musk, são eles que vão fazer a empresa dele se tornar a maior do mundo. Mas são cinco os pontos principais que os americanos vão colocar na mesa em Pequim, e os dois primeiros são os mais importantes para o Brasil. Em primeiro lugar, a carne. Antes da guerra das tarifas, os americanos tinham um mercado de quase US$ 2 bilhões em venda de carne para os chineses. Hoje, as licenças de exportação ficaram muito restritas. Quase nenhum frigorífico dos Estados Unidos consegue vender pela China e a pressão é grande para que a China reabra o mercado. O Brasil é hoje o maior fornecedor de carne bovina para China, substituiu os americanos. O mesmo aconteceu com o segundo ponto da agenda americana: a soja. Os produtores de soja nos Estados Unidos são base eleitoral forte de Donald Trump, que vai enfrentar as eleições para o Congresso em novembro. Em terceiro lugar, os americanos querem que os chineses comprem aviões. A comitiva vai incluir o CEO da Boeing. A expectativa da imprensa americana é o anúncio da compra de 600 aeronaves. Os últimos dois pontos são a criação de comissões de comércio e de investimento em áreas que não sejam sensíveis para os dois países. Entenda o xadrez econômico entre Donald Trump e Xi Jinping Jornal Nacional/ Reprodução Agora, o lado chinês coloca à mesa o que está sendo chamado de três “Ts”: o primeiro "T" vem de tarifas – que foram reduzidas, e os chineses querem que continuem assim ou diminuam ainda mais; o segundo de tecnologia – principalmente na importação de chips e componentes americanos; e o terceiro T é o mais sensível: Taiwan - o arquipélago aliado dos Estados Unidos que a China considera parte de seu território. Os americanos armam Taiwan há décadas. Pequim quer que Washington pare com isso – ou pelo menos diminua o volume de dinheiro. Por isso, há algo importante que não estará sobre a mesa de negociações, mas estará no topo da mente de todos os presentes, uma mudança das duas últimas décadas. O orçamento estimado de defesa da China no ano 2000 era de cerca de US$ 15 bilhões. Hoje, está perto de US$ 300 bilhões. Aumentou 20 vezes em 25 anos. Ainda assim, gasta menos do que os americanos, cujo orçamento é de quase US$ 1 trilhão. A Marinha chinesa tem mais navios do que os americanos, mas menos experiência em lançar mísseis, por exemplo. A China concentra seus navios ao redor da costa. Enquanto os Estados Unidos têm os seus espalhados pelo mundo, para garantir a segurança nas rotas de petróleo. A China também produz, hoje, caças de 5ª geração, os Chengdu J20, que têm a capacidade de entrar no céu inimigo sem serem percebidos por radares, em modo fantasma. O Pentágono diz que o arsenal nuclear chinês dobrou desde 2019 e a expectativa é que os chineses tenham mais de 1,5 mil ogivas até 2035. No espaço, a China lançou uma constelação de satélites de navegação para fazer frente à grande rede de satélites americana, o GPS. Em volta de Taiwan, a China tem navios anfíbios, que são capazes de fazer uma rápida entrada nas praias da ilha. Pequim também desenvolve um sistema de plataformas e pontes entre navios e o território que podem despejar tanques e soldados aos montes. Xi Jinping colocou como prazo 2027 para ver uma modernização do Exército. O mundo geopolítico interpretou como a data da anexação de Taiwan. Mas o analista de risco Jack Neubeuer explica que o consenso é o seguinte: "Xi prefere anexar por convite, e não por invasão. Pequim mantém a esperança de que consegue pressionar Taiwan para convencê-los de que eles não têm outra escolha a não ser aceitar algum nível de unificação com a China. O poder militar funciona mais como uma força de coerção, uma ameaça. A ideia é construir um Exército tão poderoso quanto o americano". Entenda o xadrez econômico entre Donald Trump e Xi Jinping Jornal Nacional/ Reprodução Enquanto isso, os militares executam maior plano de modernização das Forças Armadas em décadas. Uma estratégia que Pequim consegue ir adaptando observando outros conflitos. A China consegue aprender como se faz a guerra no século 21 porque, segundo a Ucrânia, suas empresas fornecem componentes militares para a Rússia. A China nega, mas não esconde a parceria estratégica com Moscou. Pequim também está observando muito de perto um outro tabuleiro: o Oriente Médio. A estratégia americana na guerra do Irã foi uma prévia. Um enxame de drones baratos no céu armados com inteligência artificial. No encontro, a guerra também deve entrar em jogo. Donald Trump deve pressionar Xi Jinping a convencer o Irã a abrir o Estreito de Ormuz. A guerra atrasou em um mês o encontro entre os dois presidentes e deu mais poder de barganha para Xi Jinping. Na disputa de gigantes, a China já ensaia o seu próprio modelo de guerra do futuro: publicou o vídeo de um protótipo de porta-aviões espacial e planeja um exército de robôs humanoides para que sejam necessários cada vez menos soldados. Com tanto poder em ambos os lados, essa mesa também dirá muito sobre o futuro do Brasil. Os chineses terão que decidir se o que é importante para a gente vai virar moeda de troca essa semana. Ou seja: vão tirar da gente para agradar o rival? GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Jornal Nacional LEIA TAMBÉM Viagem histórica: Trump visita a China para fazer negócios Trump diz que discutirá venda de armas a Taiwan e guerra no Irã com Xi Jinping em visita à China China anuncia datas da visita oficial de Trump e fala em trabalhar 'em pé de igualdade' com os EUA Só a etiqueta muda: Fantástico flagra mesma calça sair de fábrica na China para ser vendida entre R$ 100 e R$ 800 China acelera corrida tecnológica com robôs, fábricas automatizadas e produção em massa

FONTE: https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2026/05/12/entenda-o-xadrez-economico-entre-donald-trump-e-xi-jinping.ghtml


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