EUA avaliam classificar PCC e CV como grupos terroristas por pressão da família Bolsonaro, diz jornal
27/03/2026
(Foto: Reprodução) Vista aérea mostra apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro carregando uma enorme bandeira dos EUA em ato na Avenida Paulista, em SP, no 7 de Setembro.
Nelson Almeida/AFP
Os Estados Unidos estão considerando classificar as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas, após filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro pressionarem integrantes do governo de Donald Trump, segundo uma reportagem do jornal "The New York Times" publicada nesta sexta-feira (27).
✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp
De acordo com o jornal, com base em fontes do governo dos EUA, a possibilidade tem sido discutida pelo Departamento de Estado norte-americano nas últimas semanas, após contatos dos filhos do ex-presidente brasileiro.
Oficialmente, o governo dos EUA não se pronunciou sobre a possibilidade. Mas, no ano passado, o presidente dos EUA, Donald Trump, impôs mais tarifas a produtos brasileiros e sancionou o ministro do STF Alexandre de Moraes em retaliação ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro. As tarifas e sanções caíram após negociações entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Veja os vídeos que estão em alta no g1
👉 Desde o início do seu mandato, Donald Trump, vem promovendo uma campanha para designar grupos criminosos de diferentes países da América Latina como organizações terroristas. No caso da Venezuela, a designação foi usada como pretexto para que Washington ordenasse uma operação militar perto das águas do país, que culminou na captura de Nicolás Maduro.
A rigor, no entanto, grupos incluídos na lista de organizações terroristas do Departamento de Estado sofrem restrições e sanções econômicas.
A Casa Branca argumenta que a designação é feita a grupos criminosos que impõem riscos à segurança interna norte-americana — a maioria é aplicada a cartéis do México, vizinho dos EUA —, o que não seria o caso das facções brasileiras.
Mas no início do mês, durante uma cúpula com líderes da América Latina aliados ao governo Trump, o secretário de Estado, Marco Rubio, comunicou ao ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, que Washington planejava incluir as facções brasileiras na lista de grupos terroristas.
Na ocasião, o Brasil se opôs à ideia e também a um pedido de Rubio para que fizesse o mesmo.
Eduardo Bolsonaro posta foto com o irmão Flávio no Bahrein
Reprodução/X
Itamaraty manifestou ao governo Trump oposição do Brasil à classificação de PCC e CV como terroristas