Haitiano fala sobre emoção de ver seleção enfrentar o Brasil na Copa do Mundo: 'Meu país de nascimento e meu país adotivo'

  • 19/06/2026
(Foto: Reprodução)
Haitiano no Brasil fala sobre emoção de enfrentar o Brasil na Copa: 'Meu país adotivo' Entre os confrontos do Brasil na primeira fase da Copa do Mundo de 2026, o jogo contra o Haiti talvez seja o mais capaz de dividir corações fora das quatro linhas. Cerca de 57,4 mil haitianos moram no país, formando a quinta maior comunidade de imigrantes no Brasil, segundo dados do Censo 2022. Para muitos deles, o duelo entre as seleções, nesta sexta-feira (19), representa o encontro entre a terra onde nasceram e o lugar que escolheram para recomeçar a vida. 📲 Participe do canal do g1 Bauru e Marília no WhatsApp É o caso de Renaldo Joseph. Aos 20 anos, o jovem deixou o Haiti em busca de novas oportunidades e mora em Bauru (SP) há cerca de um ano, onde trabalha em um supermercado. E se tem algo que não precisou ser traduzido para Renaldo ao chegar ao Brasil, foi a paixão pelo futebol. Segundo ele, assim como acontece entre os brasileiros, o esporte ocupa um lugar central na cultura haitiana. "É um dos esportes mais populares do país e une famílias, amigos e comunidades inteiras. Os jogos da seleção nacional são acompanhados com muita paixão", afirma. Por isso, o confronto entre Brasil e Haiti tem um significado especial para o jovem, que verá em campo duas nações que fazem parte da sua trajetória de vida. "É um evento especial para mim porque reúne dois países que significam muito para mim: meu país de nascimento, o Haiti, e meu país adotivo, o Brasil", diz. Renaldo Joseph deixou o Haiti há um ano e encontrou em Bauru, no interior de São Paulo, um novo lar Arquivo Pessoal Apesar do carinho e da admiração pelo Brasil, Renaldo não esconde para quem será sua torcida. “O Brasil é uma potência mundial do futebol, com uma história excepcional e inúmeros títulos. Mas meu coração sempre estará com o Haiti”, afirma. Mesmo assim, Renaldo faz questão de destacar a admiração que sente pela seleção canarinho e acredita que o Brasil tem chances de conquistar o hexa. LEIA TAMBÉM: DE BRINQUEDO DE INFÂNCIA A RELÍQUIA: homem que ganhou bola autografada pela Seleção 70 vira diretor de museu e exibe peça 'OS XARÁS DA SELEÇÃO': conheça o único 'menino Neymar' de escolas de cidade em SP; outros 2,5 mil alunos têm nomes de jogadores da seleção TORCIDA PELO HEXA: veja o que é permitido e o que é proibido na hora de pintar as ruas para a Copa do Mundo "A seleção brasileira continua sendo uma das maiores equipes da história. Mesmo que às vezes passe por períodos mais difíceis do que no passado, ainda possui imenso talento, um estilo de jogo forte e a capacidade de inspirar torcedores de futebol em todo o mundo", opina. "O Brasil tem as qualidades necessárias para o hexa. Em uma Copa, também é preciso um pouco de sorte, mas com talento, experiência e a paixão dos torcedores, o Brasil é um dos favoritos. Se nossa seleção (Haiti) for eliminada, não terei problema nenhum em torcer pelo Brasil", conta. Aos 20 anos, o jovem deixou o Haiti e mora em Bauru (SP), onde trabalha em um supermercado. Arquivo Pessoal Para Renaldo, o Haiti também vive um momento de esperança dentro das quatro linhas, impulsionado por uma nova geração de jogadores. "Estamos testemunhando uma nova geração de jogadores talentosos, ambiciosos e determinados. Com trabalho, boa organização e aumento do investimento no futebol, o Haiti pode continuar a progredir no cenário internacional", avalia. Na opinião do jovem, o duelo desta sexta-feira simboliza muito mais do que uma partida válida pela Copa do Mundo, mas também uma celebração entre os dois povos. "Espero especialmente ver uma grande partida entre Brasil e Haiti, com muito respeito, fair play e emoção. Será uma grande celebração do futebol para nossos dois povos", ressalta. Renaldo Joseph deixou o Haiti há um ano, onde ainda tem família Arquivo Pessoal Relação muito além do futebol A ligação entre haitianos e brasileiros vai muito além das quatro linhas e também foi construída por meio de relações históricas e diplomáticas entre os dois países. Esse vínculo ganhou força especialmente a partir de 2004, quando o Haiti enfrentava uma grave crise política que culminou na deposição do presidente Jean-Bertrand Aristide. Naquele ano, a Organização das Nações Unidas (ONU) criou a Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (Minustah), liderada pelo Brasil. O país enviou o maior contingente militar da operação, que permaneceu no território haitiano por mais de uma década. A seleção brasileira de futebol é saudada por fãs haitianos ao cruzar ruas de Porto Príncipe, em Haiti Vanderlei Almeida/AFP/Arquivo Como forma de aproximar a população da missão, o governo brasileiro organizou um amistoso entre as seleções de Brasil e Haiti, em Porto Príncipe, conhecido como "Jogo da Paz". A seleção brasileira chegou ao Haiti como atual campeã do mundo, dois anos após conquistar o penta em 2002, e levou inclusive o troféu da Copa do Mundo para ser exibido à população. Initial plugin text O episódio ajudou a consolidar a admiração dos haitianos pelo futebol brasileiro, sentimento que atravessou gerações e permanece vivo até hoje. Seleção brasileira enfrentou Haiti em amistoso "Jogo da Paz", em 2004 Arquivo CBF Brasil x Haiti Depois do empate por 1 a 1 com o Marrocos na estreia, o Brasil volta a campo nesta sexta-feira para enfrentar o Haiti pela segunda rodada do Grupo C da Copa do Mundo de 2026. A partida será disputada às 21h30 (horário de Brasília), no Lincoln Financial Field, na Filadélfia, nos Estados Unidos. Na primeira rodada, o Haiti foi derrotado pela Escócia por 1 a 0. O resultado deixou os escoceses na liderança do grupo, com três pontos, enquanto Brasil e Marrocos somam um ponto cada, e os haitianos ainda não pontuaram. Haitiano que mora em Bauru (SP) vai torcer pelo Haiti no confronto com o Brasil na Copa do Mundo Arquivo pessoal Veja mais notícias da região no g1 Bauru e Marília VÍDEOS: assista às reportagens da região

FONTE: https://g1.globo.com/sp/bauru-marilia/noticia/2026/06/19/haitiano-fala-sobre-emocao-de-ver-selecao-enfrentar-o-brasil-na-copa-do-mundo-meu-pais-de-nascimento-e-meu-pais-adotivo.ghtml


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