Jovem com execução marcada no Irã não teve advogado, e família só foi autorizada a visitá-lo por 10 minutos, dizem parentes
13/01/2026
(Foto: Reprodução) Erfan Soltani, manifestante preso no Irã
Reprodução/Instagram
O manifestante Erfan Soltani, que foi condenado à morte no Irã não teve acesso a advogado, disse sua família nesta terça-feira (13).
Segundo seus parentes, eles só foram autorizados a visitá-lo por 10 minutos. Soltani deve ser executado já na quarta-feira, segundo a organização humanitária curdo-iraniana Hengaw.
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Soltani, de 16 anos, foi preso na última quinta (13) em sua casa por sua conexão com protestos contra o regime dos aiatolás na cidade de Karaj.
As autoridades informaram à família que a sentença de morte era definitiva, relatou a Hengaw.
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"O tratamento apressado e pouco transparente deste caso aumentou as preocupações sobre o uso da pena de morte como instrumento para reprimir protestos públicos", disse a organização.
O chefe do Judiciário iraniano, subordinado aos aiatolás e ao líder supremo, Ali Khamenei, já havia dito que que tribunais especializados foram designados para lidar com os protestos.
A ONG Iran Human Rights (IHRNGO) diz estar "extremamente preocupada com a situação no país e alerta para "o risco de execuções em massa de manifestantes".
2.000 mortos
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West Asia News Agency/Reuters
A repressão aos protestos que ocorrem no Irã já deixaram cerca de 2.000 pessoas mortas, afirmou nesta terça um membro do governo iraniano à agência de notícias Reuters.
A fonte ouvida pela Reuters culpou os manifestantes, que chamou de "terroristas", por mortes de cidadãos e agentes de segurança durante os protestos.
➡️ As manifestações, que começaram em dezembro, tinham como foco a má situação econômica do país, mas a repressão violenta a elas levou os manifestantes a pedir o fim do regime dos aiatolás, que goveram o Irã desde a Revolução de 1979.
Também nesta terça, o alto comissário da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos, Volker Türk, se disse "horrorizado" com o que chamou de repressão das forças de segurança iranianas aos protestos pacíficos.
Oficialmente, o Irã não havia confirmado o novo balanço até a última atualização desta reportagem. Na segunda-feira (12), o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, declarou que a situação o país estava "sob controle total" após o aumento da violência ligada aos protestos durante o fim de semana.
O chanceler iraniano acrescentou que a ameaça do presidente dos EUA, Donald Trump, de uma nova ofensiva contra Teerã caso a repressão violenta aos protestos continuasse, motivou "terroristas" a atacar manifestantes e forças de segurança, para justificar essa intervenção.
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"Vamos atingi-los com muita força onde mais dói", disse Trump, em relação ao Irã, na semana passada.
O presidente norte-americano já havia dito que faria uma intervenção anteriormente. Em 2 de janeiro, ele declarou que os EUA estavam “prontos para agir” se pessoas que protestam de forma pacífica forem mortas.
No sábado (10), Trump renovou as ameaças ao dizer que o Irã está "buscando a liberdade" e que os norte-americanos estão "prontos para ajudar".
O grupo de direitos humanos HRANA, com sede nos EUA, afirmou às agências de notícias Reuters e Associated Press que o número de mortos subiu para 538, entre eles 490 manifestantes e 48 policiais. Além disso, mais de 10.670 pessoas teriam sido presas, segundo a organização neste domingo (11).
Outras ONGs de direitos humanos que monitoram a situação no Irã também têm reportado nas mortes dos protestos. O país está isolado do resto do mundo após Khamenei ter cortado a internet, então não se sabe ao certo quantas pessoas realmente morreram, porém, as organizações têm recebido relatos de que as forças de segurança iranianas dispararam contra os manifestantes.
O governo iraniano não está divulgando regularmente números oficiais da atuação policial nos protestos e acusa os EUA e Israel de se infiltrarem nos protestos e os culpam pelas mortes ocorridas nos movimentos.
O chefe da polícia do Irã, Ahmad-Reza Radan, afirmou neste domingo que as forças de segurança "escalaram o nível de confronto contra os manifestantes". A Guarda Revolucionária do Irã, um importante ator militar no país, afirmou que proteger a segurança nacional é um ponto inegociável.
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, pediu neste domingo que a população iraniana mantenha distância do que chamou de "terroristas e badernistas" e tentou buscar uma via de diálogo com os manifestantes. Ao mesmo tempo, Pezeshkian acusou os Estados Unidos e Israel de "semear caos e desordem" no país.