Justiça revoga medidas cautelares contra dono da Ultrafarma, mas torna réus outros 7 investigados por esquema bilionário de fraude

  • 30/08/2025
(Foto: Reprodução)
Empresário Sidney Oliveira foi alvo da Operação Ícaro Reprodução A Justiça de São Paulo revogou na sexta-feira (29) as medidas cautelares impostas antes a Sidney Oliveira, dono da Ultrafarma, mas tornou réus outros sete investigados (quatro deles seguem presos) por suspeita de participarem de um esquema bilionário de corrupção e fraudes fiscais (saiba mais abaixo). O grupo é investigado pelo Ministério Público (MP) por pagar propinas e receber créditos de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) irregulares da Secretaria da Fazenda do estado. Empresários e auditores fiscais estão envolvidos no esquema criminoso, segundo o Grupo Especial de Repressão a Delitos Econômicos (Gedec) do MP. De acordo com o Tribunal de Justiça (TJ), todas medidas cautelares contra Sidney acabaram revogadas porque ele ainda não foi denunciado por nenhum crime pela Promotoria, apesar de continuar sendo investigado. Desse modo, a Justiça atendeu pedido da defesa do dono da Ultrafarma e suspendeu, por exemplo, o uso de tornozeleira eletrônica e a entrega do passaporte. Antes, Sidney já havia conseguido um outro habeas corpus para não pagar R$ 25 milhões de fiança _esse valor será revisto. CGE e MP de São Paulo fazem reunião sobre o caso Ultrafarma O diretor estatutário da Fast Shop, Mário Otávio Gomes, também não foi denunciado porque fez um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) com o Ministério Público. Em outras palavras, ele confessou participação no esquema de corrupção e fraude, pagará uma multa (com valor a definir) e não responderá a processo criminal. Na denúncia feita na sexta, o Ministério Público acusou auditores e a mãe de um fiscal por envolvimento num esquema de corrupção na Secretaria da Fazenda e lavagem de dinheiro que desviou ao menos R$ 6,6 milhões entre 2021 e 2022. A Justiça aceitou a denúncia do MP e tornou réus: Artur Gomes da Silva Neto, auditor fiscal: por corrupção passiva e lavagem de dinheiro; Kimio Mizukami da Silva, mãe de Artur e dona formal da Smart Tax, empresa de fachada usada para receber propina: por lavagem de dinheiro; Marcelo de Almeida Gouveia, auditor fiscal: por corrupção passiva; Fatima Regina Rizzardi, auxiliar de Artur: por corrupção passiva; Maria Herminia de Jesus Santa Clara, auxiliar de Artur: por corrupção passiva; Celso Eder Gonzaga de Araújo, casado com Tatiane e operador do esquema: por lavagem de dinheiro; Tatiane da Conceição Lopes, casada com Celso e operadora do esquema: por lavagem de dinheiro. A Justiça também atendeu ao pedido do Ministério Público e manteve as prisões preventivas de Artur, Marcelo e Celso Eder, e a prisão domiciliar de Tatiane. Para Kimio, Fátima e Maria Herminia, a Justiça concordou com o MP e aplicou medidas cautelares alternativas à prisão, como comparecimento mensal em juízo, proibição de se ausentar da comarca, uso de tornozeleira eletrônica e apreensão de passaportes. A Artur Gomes da Silva Neto é exonerado do cargo de auditor fiscal Reprodução De acordo com a denúncia, os fiscais Artur Gomes da Silva Neto e Marcelo de Almeida Gouveia recebiam propina para agilizar e inflar ressarcimentos de créditos de ICMS devidos à Fast Shop, entre outras empresas. O pagamento era feito por meio da empresa Smart Tax, registrada em nome de Kimio, mãe de Artur. Segundo os promotores, era uma empresa usada apenas para disfarçar o dinheiro ilícito. As investigações apontam que contratos simulados e notas fiscais frias foram utilizados para justificar os repasses milionários. O valor pago em propina era depois incorporado aos créditos fiscais da Fast Shop que, além de recuperar os recursos, ainda revendia parte desses créditos a outras empresas. O empresário Sidney Oliveira, dono da Ultrafarma, é preso em operação do Ministério Público de São Paulo, no dia 12 de agosto de 2025 TV Globo/Reprodução O empresário Sidney Oliveira, dono da Ultrafarma, em imagem de 03/10/2013. José Patrício/Estadão Conteúdo Em 21 de agosto, Artur foi exonerado da Secretaria de Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo (Sefaz-SP). No esquema, segundo as investigações, Artur atuava facilitando e fraudando o processo de ressarcimento de créditos tributários — especificamente o ICMS — para grandes empresas varejistas como Ultrafarma e Fast Shop em troca de propina. Após as denúncias, o governo de São Paulo também anunciou mudanças nas regras de restituição do ICMS-ST (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços retido por Substituição Tributária). Entre as medidas estão: A revogação de normas que facilitavam a devolução acelerada do imposto; A exigência de que todos os pedidos de ressarcimento passem por auditoria fiscal; A criação de um grupo de trabalho para revisar as regras, com uso de cruzamento eletrônico de dados e novas tecnologias de fiscalização. Entenda o esquema Dinheiro apreendido em operação do MP Reprodução/TV Globo Segundo o MP-SP, Artur coletava a documentação necessária, acelerava a aprovação dos pedidos para esse ressarcimento, e garantia que eles não fossem revisados internamente. Em alguns casos, os valores liberados eram maiores que os devidos, e o prazo para pagamento, reduzido. O ressarcimento de crédito tributário é um direito do contribuinte que pagou a mais, mas o procedimento para recebê-lo é burocrático e complexo. Em troca, ele recebia propinas milionárias, que ultrapassam R$ 1 bilhão desde 2021, pagas por meio de empresas intermediárias, incluindo uma empresa fantasma registrada em nome da mãe do auditor. Além de acompanhar o processo, o próprio auditor aprovava os pedidos e garantia que não seriam revisados internamente. Em alguns casos, liberavam valores superiores aos que as empresas tinham direito e em prazos mais curtos. Caso Ultrafarma: servidor acusado de arrecadar R$ 1 bi em propina foi melhor aluno no ITA Pacote de esmeraldas e de dinheiro apreendidos na operação do MP Reprodução/TV Globo LEIA MAIS: Veja quem é Sidney Oliveira, dono da Ultrafarma, preso em operação em SP Auditor fiscal era o 'cérebro' do esquema que levou à prisão do dono da Ultrafarma, diz MP; prejuízo ainda não foi calculado VÍDEO: Veja quando o dono da Ultrafarma, Sidney Oliveira, chega à delegacia após ser preso em operação do MP

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2025/08/30/justica-revoga-medidas-cautelares-contra-dono-da-ultrafarma-mas-torna-reus-outros-7-investigados-por-esquema-bilionario-de-fraude.ghtml


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