'O que foi feito foi cruel, foi muito difícil', diz presidente do BRB ao detalhar rombo de R$ 8,8 bilhões
09/06/2026
(Foto: Reprodução) 'O que foi feito com o BRB foi cruel', diz presidente do banco sobre crise com o Master
O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, detalhou a situação patrimonial do banco em uma audiência pública nesta terça-feira (9) na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.
Questionado por senadores do Distrito Federal, o executivo classificou como "cruéis" as transações entre o BRB e o Banco Master – investigadas pela Polícia Federal como o epicentro do maior escândalo financeiro da história recente do país.
"O que foi feito com o BRB foi cruel, foi muito difícil. Não está sendo fácil a recuperação do BRB. Os valores colocados foram muito grandes entre compra e venda de carteiras", afirmou Souza em resposta a Damares Alves (Republicanos-DF).
O atual CEO do BRB assumiu o posto após a primeira fase da operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que prendeu e afastou do cargo o então presidente Paulo Henrique Costa. O ex-presidente segue preso.
Na audiência no Senado, Nelson Souza divulgou um balanço das transações bilionárias entre o BRB e o Master. O Banco de Brasília chegou a tentar comprar o Master, do banqueiro Daniel Vorcaro, mas a transação foi barrada pelo Banco Central.
Segundo o balanço da atual gestão do BRB:
R$ 30 bilhões foram transacionados entre o BRB e o Master entre 2024 e outubro de 2025 (quando veio a operação Compliance Zero).
Desses, R$ 21,9 bilhões foram incorporados ao patrimônio do BRB como "ativos".
Desse valor, R$ 12,12 bilhões foram alvo de apuração da operação Compliance Zero. E pelo menos R$ 8,8 bilhões eram títulos inexistentes, fraudados ou de difícil recuperação – na prática, "crédito podre" que pode se transformar em um rombo no patrimônio do banco.]
"De imediato, nós detectamos que R$ 2,6 bilhões da carteira [do fundo] Tirreno não existem. Não tem lastro, não tem nada. E fomos pegar essas carteiras todas e fomos detectar o que efetivamente tínhamos que provisionar, para cobrir possíveis perdas. São R$ 8,8 bilhões", explicou Souza.
Presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, participa de audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.
Como cobrir o rombo de R$ 8,8 bilhões?
Desses R$ 8,8 bilhões de "possíveis perdas", o BRB quer cobrir R$ 6,6 bilhões com um empréstimo junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Para isso, foi preciso mediar um acordo envolvendo a União e o Supremo Tribunal Federal, já que o DF está com as contas públicas comprometidas e, pelas regras de prudência fiscal, não poderia tomar um empréstimo dessa monta.
➡️ O acordo foi homologado pelo ministro do STF Luiz Fux, mas ainda não foi efetivado. Segundo Souza, ainda é preciso cumprir etapas protocolares – entre elas, a aprovação de um aval da Câmara Legislativa do Distrito Federal.
➡️ O empréstimo prevê que o dinheiro saia do FGC, fundo que é abastecido pelos maiores bancos privados do país e serve, justamente, como um colchão de segurança para crises no sistema bancário.
➡️ Se o DF não pagar o empréstimo em dia, os bancos privados atuam como fiadores. E, como contragarantia, podem ficar com os repasses que o DF deve receber, nas próximas décadas, do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e do Fundo de Participação dos Estados (FPE).
Presidente do BRB promete divulgar balanço atrasado até 30 de junho
Se o empréstimo sair e o DF repassar esse valor ao BRB, o banco conseguiria então garantir R$ 6,6 bilhões dos R$ 8,8 bilhões (75% do rombo estimado).
Os R$ 2,2 bilhões restantes viriam da securitização da dívida ativa do DF – ou seja, da venda dos direitos de cobrança de parte das dívidas que o governo do DF tem a receber em impostos e contratos.
Segundo o presidente do BRB, uma primeira oferta dessas dívidas ao mercado já arrecadou R$ 1,17 bilhão. O governo espera vender outros dois "lotes" e arrecadar, no total, até R$ 3 bilhões com essa mecânica.
Nelson Antônio de Sousa, presidente do BRB
TV Globo/reprodução
Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.