‘Odô Iyá’: Cortejo celebra Iemanjá e alerta contra racismo religioso em Rio Branco
02/02/2026
(Foto: Reprodução) Cortejo de Iemanjá conta com apresentações de maracatu, samba e batuques tradicionais
Velas, flores e o aroma de alfazema tomam conta das ruas do Centro de Rio Branco na tarde desta segunda-feira (2), durante a celebração da 16ª Festa de Iemanjá, que vai reunir filhos de santo e demais praticantes das religiões de matriz africana a partir das nesta segunda-feira (2).
A concentração está marcada para 16h, em frente ao Memorial dos Autonomistas, com saída do cortejo entre 17h e 17h30. Tam vai ocorrer entrega de oferendas ao lado da Ponte Metálica, próximo à Orla da Base, com apoio do Corpo de Bombeiros.
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Ao g1, o organizador do evento, Leandro Júnior, conhecido como Ogã Júnior, explicou que o cortejo é promovido há mais de 20 anos pelo Ilê Asé Yemonjá Sobá, e já se consolidou como uma manifestação cultural e religiosa em Rio Branco.
Participantes poderão levar velas, flores e oferendas em homenagem à Rainha do Mar
Foto: James Pequeno
“A gente espera centenas de simpatizantes de toda Rio Branco e também de fora, entre eles filhos de santo de todas as casas. As oferendas serão entregues ao lado da Ponte Metálica, com todo o apoio necessário para recebermos o axé de Iemanjá", destacou.
Os participantes podem levar velas, flores e oferendas em homenagem à Rainha do Mar, contudo, Leandro afirmou que o principal pedido é que as pessoas levem a fé. “Mais importante do que qualquer oferenda é a fé e o coração aberto, para fazer desta, uma noite noite inesquecível”, afirmou.
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A programação conta com apresentações de maracatu, samba e batuques tradicionais, incluindo o grupo Maracatu Pé Rachado e os Batuqueiros do Coco, que farão a primeira apresentação no cortejo deste ano.
‘Odô Iyá’
Embora seja amplamente associada aos mares, Iemanjá também é ligada aos rios, sobretudo em regiões que não são banhados pelo litoral. Essa relação, segundo o ogã, é reforçada pela própria saudação feita à divindade.
“Saudamos Iemanjá dizendo 'Odô Iyá', que significa 'Mãe do Rio'. Logo, entendemos que é importante desmistificar que ela seja ligada apenas ao mar. Certamente ficou mais conhecida assim, devido aos escravos que tinham acesso mais fácil ao mar, que é no Candomblé, é comandado por Olokun. Desta forma, acreditamos que Iemanjá junto com Oxum, também são dos rios e igarapés", explicou.
Combate ao racismo religioso
Ainda segundo o Ogã, neste ano, o cortejo traz como temática central a luta contra o racismo religioso, sendo assim, ocupar as ruas da cidade é também um ato de afirmação e resistência aos povos de terreiro de Rio Branco.
“Quando a gente sai do terreiro e vai para as ruas, estamos ocupando o espaço público, que também é nosso por direito, mostrando a nossa fé e devoção, tanto a Iemanjá quanto aos demais Orixás. A ideia do cortejo é quebrar esse pensamento errôneo que muitas pessoas ainda têm sobre a nossa religião”, disse.
Leandro ainda reforça que o evento vai além da religiosidade e se tornou um marco cultural da capital acreana. “A gente quebra uma barreira intercultural, e com isso, mostramos a nossa força, fé e amor pela espiritualidade”, disse.
Preconceito
Dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania apontam que a intolerância religiosa segue como uma violação recorrente no Brasil. Entre janeiro de 2025 e 2026, o Disque 100 registrou 2.774 denúncias, com impacto desproporcional sobre religiões de matriz africana.
As violações foram motivadas por intolerância religiosa, o que reforça a necessidade de ações contínuas de prevenção, proteção e promoção da liberdade religiosa, segundo o ministério.
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