Perfil falso e acusações: entenda como evitar a armadilha digital que levou mulher a tentar prejudicar a ex-colega
13/01/2026
(Foto: Reprodução) Delegacia de Polícia Civil de Paraíso do Tocantins
Divulgação/PCTO
Uma mulher foi alvo de difamação em uma rede social por uma ex-colega de trabalho que enviava mensagens a diversas mulheres dizendo que a vítima tinha relacionamentos extraconjugais com os maridos delas. O caso chamou atenção em Paraíso do Tocantins e a suspeita, de 32 anos, foi indiciada pela Polícia Civil.
Para evitar esse tipo de situação e prevenir possíveis golpes, o delegado José Lucas Melo informa que as pessoas devem ter atenção com os tipos de mensagens que são compartilhadas nas redes sociais.
"Tudo que é feito em ambiente virtual deixa registros e, assim, qualquer conduta ilícita ali praticada levará à responsabilização. Evitem conversar e passar qualquer dado pessoal como documentos e senhas em conversas com números desconhecidos, o que termina facilitando a ocorrência de golpes. Antes de qualquer transação bancária, por pagamento, transferência, pix ou repasse de dados deve ser precisada de verificação e em caso de dúvidas a delegacia de polícia mais próxima deve ser procurada", explicou.
O caso aconteceu em novembro de 2025, quando clientes da vítima, de 37 anos, passaram a receber mensagens enviadas de um perfil falso, criado pela suspeita. Investigações da polícia apontaram que a mulher teria praticado o crime, pois acreditava ter sido prejudicada pela vítima no ambiente profissional.
O nome da investigada não foi divulgado e o g1 não conseguiu contato com a defesa dela.
Difamação: denúncia e prevenção
Advogada explica como se proteger de crimes contra a honra nas redes sociais
A investigada foi indiciada por três crimes: injúria, difamação e falsa identidade. Conforme a advogada criminalista Dominique Louise Monteiro Koop, as vítimas devem reunir provas do crime e procurar delegacia, advogado ou defensoria pública para fazer a denúncia.
"A partir do momento que você for ofendido, você vai procurar um especialista para verificar quais crimes que ocorreram, que vai estar dentro crimes contra a honra. Vai reunir provas disso, principalmente nessas de calúnia, difamação, injúria através da internet, você vai reunir as provas disso, ir até uma delegacia, fazer o registro dessa ocorrência", contou em entrevista a TV Anhanguera.
Conforme a advogada, há três tipos contra a honra:
Injúria - ofende diretamente através de xingamentos e palavras ofensivas
Calúnia - que é imputar um fato criminoso a uma pessoa
Difação tentar prejudicar a imagem da pessoa, a sua reputação.
As vítimas desses crimes também devem ter atenção ao prazo para realizar a denúncia. A advogada explica que a queixa deve ser feita em alguns meses, contando a partir do momento em que a pessoa descobre o fato e o suposto autor.
"A partir do momento que você descobriu quem é essa pessoa que está fazendo, mandando essas mensagens, fazendo esses comentários, você tem o prazo de 6 meses para poder entrar com essa ação. Também é possível a responsabilização no âmbito cível, que seria uma indenização por danos morais".
Fofoca pode ser responsabilizada? Segundo a advogada, sim. O ato de "fofocar" se encaixa nas questões da difamação "que seria a imagem dessa pessoa no convívio social, quando você espalha uma história que não é verdade para desonrar a pessoa", explicou Dominique Louise.
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Mensagens enviadas e acusações
Mensagens que a suspeita enviou para difamar ex-colega de trabalho
Reprodução/Polícia Civil
Além de mandar mensagens para clientes, a mulher que criou um perfil falso para difamar uma ex-colega de trabalho também enviou acusações à loja onde a vítima trabalhava. O g1 teve acesso às mensagens enviadas pela suspeita para clientes do estabelecimento e para os donos do local. As conversas foram identificadas pela Polícia Civil durante as investigações.
Em uma mensagem enviada a uma cliente do estabelecimento, a suspeita fez acusações: "Ei passando aqui pra te dar um alerta. Tem uma funcionária da [...] que tava dando para seu marido viu. Fica de olho. Perigosa ela. Que ela pega homem casado todos sabem".
Após perceber a situação, a vítima registrou um boletim de ocorrência. Durante a investigação, os policiais identificaram a responsável pelo perfil. Ela utilizou dados pessoais de terceiros para ocultar a própria identidade e dificultar sua responsabilização.
Ao ser localizada, a mulher confessou o crime e disse acreditar ter sido prejudicada pela vítima no ambiente profissional, o que teria motivado sua atitude.
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