Professor viaja do Paraná ao Alasca de moto sem sair do emprego: veja o que diz a lei da CLT sobre licença não remunerada

  • 23/06/2026
(Foto: Reprodução)
Professor faz proposta inusitada para tirar licença e viaja de moto do Paraná ao Alasca O professor de biologia Luis Frederico Petla, que viajou do Paraná ao Alasca de moto e ainda pretende passar mais de um mês na estrada antes de voltar a trabalhar, tirou uma licença não remunerada para viver a aventura sem sair do próprio emprego. Ele trabalha em uma escola particular de Ponta Grossa, nos Campos Gerais, partiu rumo ao extremo norte da América no final de fevereiro e está com a volta às salas de aula agendada para o dia 1º de agosto. Saiba abaixo. Nesse meio tempo ele não recebeu salário, mas manteve o contrato de trabalho ativo, pois a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) permite esse tipo de negociação entre patrão e funcionário. ✅Siga o canal do g1 PR no WhatsApp O advogado trabalhista Renato Roskosz Filho explica que o decreto-lei que aprova a CLT define a licença não-remunerada como uma suspensão temporária do contrato de trabalho. "É importante destacar que essa modalidade não é um direito automático, mas sim um acordo mútuo firmado entre a empresa e o trabalhador", aponta. Segundo ele, a legislação não exige que o trabalhador cumpra um tempo mínimo de contrato para solicitar o afastamento e não determina um prazo mínimo ou máximo para a licença quando ela é solicitada por interesses particulares. O advogado também explica que o vínculo empregatício permanece ativo, e ao final do prazo combinado o funcionário tem o direito assegurado de reassumir sua função original nas mesmas condições. No entanto, a lei trabalhista não prevê garantia contra demissão após o fim da licença. Ou seja, ao retornar, o colaborador pode ser demitido sem justa causa, a menos que exista alguma regra específica assegurando essa proteção na Convenção Coletiva do sindicato da categoria. "Durante o período de afastamento, o repasse de salários e a concessão de benefícios (como vale-refeição e auxílio-transporte) são pausados. Os meses em que o colaborador estiver de licença não são contabilizados para o cálculo de férias ou para o pagamento do 13º salário, e a organização fica isenta de pagar os salários e desobrigada de realizar recolhimentos fiscais e previdenciários, como FGTS e INSS, referentes àquele colaborador." Navegue por esta reportagem: Professor viajou de moto ao Alasca 'Por que não?' Três anos de preparação e mais bagagem para a moto, do que para o motociclista Como é viver na estrada Professor viajou de moto do Paraná ao Alasca Arquivo pessoal Professor viajou de moto ao Alasca Fred Petla, como é conhecido o professor, teve a ideia de ir até o Alasca três anos atrás, quando viajou de moto com a esposa até Ushuaia — a cidade que fica mais ao sul do mundo. Para poder realizar o novo sonho ele precisava de tempo e, como queria voltar com um emprego garantido, fez uma negociação com o próprio chefe e o convenceu a liberá-lo por seis meses sem receber. Em contrapartida, ainda teria o cargo ao retornar da viagem. O pedido de afastamento temporário convenceu e, no dia 28 de fevereiro, o motociclista partiu sozinho rumo ao extremo norte da América. O cenário da viagem contou com estradas congeladas, sensação térmica próxima de -20ºC e muita história para contar. Mais de 103 dias e 25 mil quilômetros depois, ele cruzou a fronteira entre o Canadá e o Alasca, em 10 de junho. Professor viajou de moto do Paraná ao Alasca Arte g1/Reprodução Google Maps Até a data em que o professor voltará às salas de aula — 1º de agosto — ele ainda pretende rodar outro trajeto, um dos mais famosos entre os apaixonados por motociclismo: a Rota 66. A estrada liga o oeste ao leste dos Estados Unidos, de Santa Mônica (Califórnia) a Chicago (Illinois). O plano do paranaense é que a viagem totalize 40 mil km, garantindo ainda mais experiências na bagagem. "Assim, o meu objetivo principal foi cumprido. Daqui pra frente, o que acontecer é lucro, é um bônus. Porque eu queria fazer o ponta-a-ponta. Fiz o Ushuaia (Argentina), Prudhoe Bay (Alasca)... Agora, o que eu consegui fazer é legal. E se a moto explodir amanhã? Eu pego um avião, volto pra casa e vou tomar meu café da manhã com a minha mãe." 'Por que não?' Professor viajou de moto do Paraná ao Alasca Arquivo pessoal No fim da pandemia de Covid-19, Fred ingressou no Curso de Formação de Oficiais (CFO), principal porta de entrada para a carreira de oficial da Polícia Militar do Paraná (PM-PR). No entanto, após fazer um ano de curso, ele resolveu sair do programa. "Por 'N' razões eu acabei pedindo baixa do CFO e pensei: 'Pô, já que eu abri mão de uma coisa boa, pois querendo ou não a carreira de oficial é muito boa, vou começar a fazer outras coisas boas pra mim e para a minha vida. Então eu falei: 'Vou pro Ushuaia de moto"'. Aí quando eu estava no Ushuaia, falei pra minha mulher: Já que eu estou no Ushuaia, por que não ir para o Alasca? Então foi assim, numa conversa informal... Porque, né, só temos uma vida." Diferentemente da viagem ao extremo sul da América, na para o extremo norte a esposa de Fred não conseguiu ir junto porque não teria outra opção a não ser desistir de uma vaga de concursada. No entanto, a esposa pretende viajar de avião até os EUA para encontrar o marido e acompanhá-lo no fim da aventura, fazendo pelo menos parte da Rota 66 junto com ele antes do retorno ao Brasil. Mais histórias de viajantes: De caminhonete: Família viaja do PR ao Alasca em trajeto de 35 mil quilômetros De bicicleta: Casal vende tudo e pedala 7 mil km do Paraná até Ushuaia Três anos de preparação Professor carrega mais bagagem para a moto, do que para ele próprio Arquivo pessoal O professor conta que passou três anos se planejando financeiramente até fazer a proposta ao chefe e conseguir, efetivamente, ter a chance de passar seis meses na estrada. Ele resolveu comprar, reformar e revender motos para criar uma renda extra e conseguir poupar a quantia necessária para realizar o próprio sonho. "Foram três anos de planejamento financeiro pesado, porque você gasta o valor de uma casa para fazer uma viagem dessa. Parece que se você está viajando de moto, gasta menos que de avião, mas bem pelo contrário. Gasta umas 40 vezes mais", explica. O único trecho que ele não pode atravessar de moto foi da Colômbia ao Panamá, onde não há estradas e a travessia só é possível por via aérea ou marítima. Para levar a moto de um país a outro, ele relata que gastou US$ 1,5 mil, aproximadamente R$ 7,8 mil. Todo o restante da viagem foi feito na moto de 300 cilindradas, e por isso a preocupação com a manutenção do veículo foi um fator crucial na escolha da bagagem para a viagem. Fred brinca que, enquanto as coisas dele somaram 2 quilos, as da moto totalizaram 15 kg. "Eu saí de casa com três camisetas, duas calças e uma jaqueta, e no caminho fui ganhando e trocando peças. A mochila, que é grande, de acampamento, está inteira com peças de reposição de para a moto: bomba de combustível, retificador, cabos, tudo que se pode imaginar de reposição. Aí mais barraca, colchão e saco de dormir e água, né?! Que a água não pode faltar." E a preocupação mostrou-se útil: durante os 25 mil km de viagem, o professor precisou trocar algumas peças e fazer reparos na moto, tanto devido ao desgaste como a alguns acidentes. Em uma ocasião, uma peça quebrou durante a única travessia de avião. Após a troca, a mesma peça também ficou danificada quando o motociclista sofreu uma queda. "Todo mundo pergunta: 'Ah, mas e se a moto der problema, e se quebrar? Uma coisa que eu aprendi muito tempo atrás é que quem está na estrada nunca tá sozinho. Se você tiver um problema, alguém vai parar e estender a mão", reflete. Como é viver na estrada Professor viajou de moto do Paraná ao Alasca Arquivo pessoal Antes da aventura, o professor já tinha experiências com viagens longas. Ele já foi de moto para o Uruguai, Amazônia, Nordeste brasileiro, Bolívia e Machu Picchu. Para dormir, ele busca acampamentos e vive com os apetrechos que leva na bagagem. Em locais mais perigosos, procura por hospedagens simples. Ele também busca casas de pessoas que participam de grupos de apoio de motociclistas e que abrem as portas para aventureiros. "Em relação à alimentação, como a viagem é longa e os gastos são grandes, busquei comer o prato principal de cada país e, no mais, cozinhei eu mesmo. Tenho um fogareiro de acampamento que uso e quando estou na casa de alguém procuro ir no mercado, comprar os ingredientes, e fazer um prato brasileiro para essas pessoas, é um intercâmbio cultural bem legal." Professor viajou de moto do Paraná ao Alasca Arquivo pessoal O que mais encanta o professor de biologia nas viagens são as paisagens naturais, as pessoas e histórias que conhece pelo caminho. "A minha parte preferida é ver a natureza. A paisagem natural é o que eu mais gosto, sem sombra de dúvidas, e depois disso é conhecer as pessoas, conhecer essas outras realidades... E como você vai crescendo! Eu posso dizer que eu cresci muito, mesmo, pessoalmente nessa viagem." Professor viajou de moto do Paraná ao Alasca Arquivo pessoal Vídeos mais assistidos do g1 Paraná: Leia mais notícias em g1 Campos Gerais e Sul

FONTE: https://g1.globo.com/pr/campos-gerais-sul/noticia/2026/06/23/professor-viaja-do-parana-ao-alasca-de-moto-sem-sair-do-emprego-veja-o-que-diz-a-lei-da-clt-sobre-licenca-nao-remunerada.ghtml


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