Quase 70 milhões de pessoas dizem que facções criminosas ou milícias atuam perto de onde moram, aponta pesquisa

  • 11/05/2026
(Foto: Reprodução)
Pesquisa Datafolha mediu a preocupação do brasileiro com a violência Uma pesquisa Datafolha mediu a preocupação do brasileiro com a violência. Quase 70 milhões de pessoas disseram ver a ação do crime organizado perto de casa, no bairro onde moram. O motorista de carro por aplicativo Denis Moura mapeia as ruas onde pode e não pode trabalhar no Rio de Janeiro: “Aqui no final, eu coloquei as ruas que essas eu não posso aceitar corrida de jeito nenhum, nem levar de jeito nenhum. Os de vermelho, eu tenho que ter uma atenção maior e os de azul são os lugares que eu posso ir com mais tranquilidade. Dependendo do lugar: acende a luz do carro, baixa o farol, para, pede permissão para entrar, coisas assim. Então é bem complicado. Bem complicado”. Denis faz parte dos 68 milhões de brasileiros que disseram conviver com o crime organizado perto de casa. A pesquisa do Datafolha, encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostrou que a situação é vivida principalmente nas capitais e regiões metropolitanas. Para um terço, criminosos “influenciam muito” as decisões e regras de convivência no bairro. “As barreiras, a intervenção dos bandidos, da milícia, do tráfico ou quem quer que seja, ela está de uma maneira que a gente não consegue calcular os locais, estão invadindo os bairros. Você está andando no bairro, o prédio que eu fui em Jacarepaguá, a imagem do Google Maps é um condomínio de apartamentos normais, só que o acesso a ele passa por um lugar que já está dominado”, conta Denis Moura. Em Jacarepaguá vivem cerca de 650 mil pessoas. O bairro fica entre o Parque Nacional da Tijuca e a praia da Barra, na Zona Sudoeste do Rio. A região tem comunidades disputadas pela milícia e pelo tráfico. Uma guerra armada por controle territorial. O estudo traz os principais receios de quem vive sob o domínio das facções: ficar no meio de um confronto armado; ter familiar envolvido com o tráfico; sofrer represálias e punições por denunciar crimes. Quase 70 milhões de pessoas dizem que facções criminosas ou milícias atuam perto de onde moram, aponta pesquisa Jornal Nacional/ Reprodução O dono de um posto de combustível afirma que é obrigado a pagar taxas para continuar funcionando. O entrevistado pediu para não ser identificado, por medo: “A abordagem deles se alterna: às vezes é milícia, às vezes é tráfico, e eles passam no posto, falam com os gerentes, intimidam. Às vezes vão de moto armados ou então, às vezes, vão de carro. Nós somos obrigados a ter o valor semanal para não acontecer nada com o estabelecimento e com os nossos funcionários”. A pesquisa também retrata o medo da população e as restrições no direito de ir e vir. Quase 75% dos brasileiros evitam frequentar certos lugares e muitos deixam de circular em horários considerados perigosos. O crime limita o direito de escolha dos moradores, que são obrigados a contratar serviços indicados pelos criminosos e a comprar marcas e produtos determinados pelos bandidos. Em outra região do Rio de Janeiro, no Complexo do Alemão, na Zona Norte, integrantes do Comando Vermelho monitoram em tempo real o que acontece nas ruas de Cabedelo, na Paraíba. Como o Fantástico mostrou no domingo (10), traficantes instalaram câmeras de vigilância pelas ruas e, a partir do Rio, controlam o crime e a rotina dos moradores. “Com a expansão do Comando Vermelho e PCC, esse modelo mais profissional de crime está se difundindo pelas cidades do interior, para regiões afastadas dos grandes centros urbanos. E essa difusão levou um tipo de criminalidade que usa armamento longo, que tem achacado a população, que tem regras de convivência, e é isso que essa pesquisa mostra”, diz Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. “Nós precisamos recuperar territórios, garantir que o poder público regule as atividades. E falar de território não é só comunidades, favelas e outras regiões. É falar de cidadania, é falar de garantir o ir e vir, ter tranquilidade e, de certa forma, você também pensar a política de segurança pública de forma articulada”, afirma Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Jornal Nacional LEIA TAMBÉM 41% dos brasileiros afirmam conviver com o crime organizado no bairro onde moram Saúde e segurança lideram lista de principais problemas do país, aponta Datafolha

FONTE: https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2026/05/11/quase-70-milhoes-de-pessoas-dizem-que-faccoes-criminosas-ou-milicias-atuam-perto-de-onde-moram-aponta-pesquisa.ghtml


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