Quem são as vítimas de feminicídio em SC? Mapa indica perfil das mulheres e aponta 'corredor do crime' no interior

  • 30/03/2026
(Foto: Reprodução)
Quem são as vítimas de feminicídio em SC? Mapa indica perfil das mulheres no estado Santa Catarina registrou 334 feminicídios — ou seja, assassinatos de mulheres em razão de gênero — entre 2020 e 2024 , segundo o Mapa do Feminicídio, divulgado pelo Ministério Público estadual nesta segunda-feira (30). A iniciativa, que cruzou e organizou dados oficiais, reunindo análises que ajudam a dimensionar como esse tipo de violência se manifesta no estado, aponta um forte vínculo com relações afetivas: 71% dos casos são classificados como feminicídios íntimos, cometidos por companheiros ou ex‑companheiros. Os dados também indicam maior incidência entre mulheres com renda familiar per capita de até cinco salários mínimos e baixa escolaridade — evidenciando barreiras de acesso à justiça e aos mecanismos de proteção. ✅Clique e siga o canal do g1 SC no WhatsApp SC registra 52 feminicídios em 2025, e tem 10 em 2026 Ao identificar padrões, fatores de risco e impactos sociais associados aos crimes, o estudo também demonstrou que, embora os números absolutos sejam mais elevados em cidades maiores, o risco proporcional de mulheres serem vítimas de feminicídio é maior em municípios menores, onde os chamados "corredores do fenômeno feminicida" foram identificados (veja números abaixo). O feminicídio está previsto no artigo 121-A do Código Penal. O entendimento começou a valer a partir da lei número 13.104/2015. Veja todos os dados do Mapa do Feminicídio. Qual o perfil das vítimas? 73,2% das vítimas nunca tiveram acesso à medida protetiva; 19,7%, em algum momento, solicitaram a proteção judiciária; 79,7% tinham entre 12 e 49 anos (com picos entre 18-24 e 35-39, mostrando tendência no início da vida adulta e estabilização de vínculos afetivos); 97,6% eram brasileiras e 2% estrangeiras (venezuelanas, argentinas e cubanas); 65% eram mães. 31,9% tinham ensino fundamental incompleto, evidenciando uma barreira no acesso à justiça e ao sistema de proteção; 71,5% não tinham vínculo empregatício formal, e 23,4% eram "do lar", evidenciando dependência econômica e precarização laboral. Catarina Kasten, Jéssica Mayara Ballock e Karla Sonego da Rosa foram vítimas de feminicídio em 2025, 2022 e 2023, respectivamente Reprodução Leia também: Preso por matar jovem grávida em SC mandou mensagem para ex-marido dela avisando sobre assassinato, diz delegado Homem condenado por matar esposa e filho bebê em SC tem pena aumentada para 70 anos Estuprada e morta em trilha de Florianópolis: caso Catarina Kasten chocou país em 2025 e alertou para feminicídio Vínculo com o autor Em 40,8% dos casos, os crimes foram cometidos pelo companheiro/cônjuge Em 23,1%, pelo ex-companheiro/ex-cônjuge A pesquisa ainda mostra que, na maior parte dos feminicídios íntimos, a ruptura do relacionamento é o ponto crítico de escalada letal (45,8% ocorrem pelo término da relação). Como os crimes ocorrem? Em 76,4% dos casos, os crimes ocorrem em casa; O uso de arma branca (47,7%) é mais que o dobro do uso de arma de fogo (22,9%), indicando crimes cometidos com o que está à mão no momento da agressão. 56,4% dos casos acontecem à noite ou madrugada, especialmente entre a noite de sexta-feira e a madrugada de segunda (41,1%). O que é feminicídio? 'Corredores do feminicídio' A análise territorial dos dados permitiu identificar o que o estudo denomina de corredores do fenômeno feminicida em Santa Catarina. Um desses corredores está localizado no Oeste catarinense, abrangendo municípios entre Xanxerê e São Miguel do Oeste, região onde se concentram as maiores taxas de letalidade feminina no período analisado. Outro corredor relevante se estende entre Lages e Curitibanos, formando uma faixa intermediária do estado que apresenta indicadores significativamente superiores aos registrados no litoral e nos grandes centros urbanos. Histórico prévio Outro dado relevante apontado pelo Mapa é que 68,9% das vítimas tinham histórico prévio de violência, ainda que nem sempre registrado nos sistemas de proteção. Em muitos casos, segundo o MPSC, essa trajetória de agressões não chegou a se converter em registros formais nos serviços de saúde, assistência social ou segurança pública. Durante o lançamento do Mapa, a promotora de justiça Chimelly Louise de Resenes Marcon, responsável pela análise dos dados e de seus efeitos na sociedade, comentou que a situação demonstra que há falhas de acesso, informação e acolhimento. “A pergunta que os dados nos devolvem é: onde estavam essas vítimas antes do desfecho letal? Onde essa história de violência permaneceu silenciada ou invisível ao longo do caminho? Esses relatos aparecem nos processos, mas, na maioria das vezes, não chegaram aos serviços de proteção", disse. Tentativas de feminicídio Levantamento divulgado pela NSC TV na última semana mostrou que, no primeiro trimestre de 2026, que ainda não chegou ao fim, o estado teve 42 tentativas de feminicídio. Os dados são de 1º de janeiro a 13 de março. Esse valor equivale a uma tentativa de matar uma mulher a cada 40 horas. As cidades que mais tiveram casos estão na região Norte: São Francisco do Sul e Joinville, com três tentativas de feminicídio cada. SC registra 42 tentativas de feminicídio em 2026 até 13 de março

FONTE: https://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/2026/03/30/mapa-feminicidio-sc-mapa-perfil-das-vitimas.ghtml


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