Tecnologia lançada no interior de SP pode transformar colheita de pimenta-do-reino; entenda
29/04/2026
(Foto: Reprodução) Tecnologia nacional pode transformar colheita de pimenta-do-reino
Uma tecnologia nacional lançada na Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), promete transformar a produção de pimenta-do-reino por meio de um processo de mecanização da colheita.
"O equipamento vem atender uma demanda muito clara do mercado, dos produtores, que é uma eficiência operacional, um aumento de rentabilidade, de produtividade e o cuidado com o grão", afirma Joel Backes, diretor comercial da MIAC, empresa responsável pela inovação.
O Brasil é o segundo maior produtor e exportador de pimenta-do-reino do mundo, atrás apenas do Vietnã, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Com uma produção estimada em 125 mil toneladas em 2024 e valor de R$ 3,67 bilhões, a cultura vem ganhando espaço como alternativa de diversificação no campo.
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O Espírito Santo é o maior produtor de pimenta-do-reino do país, responsável por cerca de 60% da safra nacional, seguido pelo Pará e pela Bahia.
Apesar da relevância no cenário global, a produção ainda carrega um desafio histórico, a colheita manual. É justamente nesse ponto que uma inovação aposta na transformação da dinâmica do setor e impulsionar a atividade no Brasil.
“Atendendo a esse mercado, a gente teve um desenvolvimento de três anos focado nesse nicho. A gente teve a experiência com o cliente, de escutar as dores e desenvolver o produto”, afirma.
Máquina lançada na Agrishow mecaniza colheita de pimenta-do-reino e pode reduzir custos com mão de obra.
Divulgação/MIAC
Como é a realidade da colheita no país
A produção da pimenta-do-reino começa a partir do segundo ano após o plantio, com maior produtividade a partir do terceiro. A colheita acontece entre julho e novembro e geralmente é feita quase totalmente de forma manual.
“Era totalmente manual, não existia nenhuma mecanização da colheita. O produtor colhe, coloca em baldes para depois transportar todo o produto até o beneficiamento”, explica Backes.
Esse modelo exige grande quantidade de mão de obra e eleva os custos de produção, além de impactar a eficiência logística dentro das propriedades.
Máquina brasileira inédita
Para enfrentar esse gargalo, a empresa lançou a BP Master, uma recolhedora trilhadora de pimenta-do-reino considerada inédita no mundo. O equipamento é acoplado ao trator e realiza, de forma mecanizada, etapas que antes eram feitas manualmente
“A máquina tem um sistema de alimentação contínua, através de uma lona, colocada entre as ruas das plantas de pimenta. Os operadores colhem o cacho da pimenta, jogam sobre a lona e através de um cilindro de trilha, uma peneira, a gente faz toda a trilha do grão, separando o grão de toda a massa folhar, trazendo um ganho operacional imenso”, explica Backes.
Além disso, como o equipamento mantém a integridade do grão de pimenta, há um aumento na qualidade do produto e consequentemente um ganho logístico na propriedade.
Isso porque ele transporta apenas o grão, e não mais o caule e toda a massa folhar que acompanha o momento da colheita.
O CEO explica que, em um hectare, que hoje pode exigir até 100 pessoas trabalhando, a máquina permite fazer o mesmo trabalho com cerca de 20 pessoas.
“O produtor sente no bolso imediatamente, porque, por exemplo, reduzindo 50% da mão de obra, e além, até 20% de ganha de produtividade nessa operação, o custo cai pela metade só na mão de obra, então ele rentabiliza de forma imediata”, afirma Backes.
Equipamento nacional lançado na Agrishow mecaniza colheita de pimenta-do-reino
Divulgação/MIAC
Setor em expansão
Atualmente, cerca de 90% da pimenta-do-reino produzida no Brasil é exportada, principalmente para mercados asiáticos e europeus. O setor movimenta bilhões e vem crescendo nos últimos anos, mesmo sem mecanização.
Apesar do avanço, um dos principais desafios ainda é a adaptação dos produtores à nova tecnologia, já que muitos estão acostumados ao modelo tradicional.
“Nos últimos três anos, a produção praticamente dobrou. Com a mecanização, a tendência é crescer ainda mais. A maior barreira é a quebra de paradigma, um produtor que estava acostumado a vida toda fazer isso de forma manual, mas com suporte técnico e assistência no campo, essa transição tende a acontecer”, afirma Backes.
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