Terra em desequilíbrio: ONU alerta para impactos climáticos que vão durar séculos

  • 23/03/2026
(Foto: Reprodução)
Terra em desequilíbrio: ONU alerta para impactos climáticos que vão durar séculos Adobe Stock Um relatório publicado nesta segunda-feira (23) pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) confirma que o clima da Terra está mais desequilibrado do que em qualquer outro momento da história, e que as consequências desse desiquilíbrio vão reverberar por séculos, e potencialmente milênios. Cada pessoa viva hoje cresceu em um mundo com extremos climáticos cada vez piores. No ano passado, uma enorme enchente inundou o Texas, geleiras na Islândia derreteram em velocidade recorde, um furacão atingiu a Jamaica com uma força quase sem precedentes, e o mundo enfrentou um calor recorde. A janela para mudar de rumo está se fechando rapidamente, alertam os cientistas. "Cada indicador climático essencial está piscando em vermelho", disse o secretário-geral da ONU, António Guterres. "A humanidade acabou de enfrentar os 11 anos mais quentes já registrados. Quando a história se repete 11 vezes, isso não é mais coincidência. É um chamado à ação." O relatório aponta que, entre 2015 e 2025, foi a década mais quente já registrada, além disso, temperatura oceânica bateu recorde pelo nono ano consecutivo, fazendo que o nível médio do mar suba num ritmo mais rápido do que nas duas décadas anteriores desde 2012. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Aumento do calor, clima extremo e instabilidade global Dependendo do conjunto de dados utilizado, o ano passado foi classificado como o segundo ou terceiro mais quente já registrado, com uma temperatura aproximadamente 1,43 °C superior às registradas no período pré-industrial. Isso ficou um pouco abaixo do recorde de 2024, de 1,55 °C. A queda ocorreu devido à influência temporária de resfriamento do fenômeno climático global La Niña. Em 2015, com o Acordo de Paris, os países concordaram em limitar o aquecimento global a 2 °C e, idealmente, a 1,5 °C, para evitar os piores impactos do aquecimento do planeta, que pode causar o colapso de diversos ecossistemas. O principal fator que impulsiona a elevação das temperaturas são as crescentes concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera, causadas em grande parte pela queima de petróleo, carvão e gás. O dióxido de carbono (CO2) atingiu, em 2024, a maior concentração atmosférica em pelo menos 2 milhões de anos e continuou subindo em 2025, segundo o relatório. As conclusões trazem um senso de urgência particular para o ano que vem. O padrão climático de aquecimento El Niño pode retornar ainda este ano, algo que, segundo cientistas, pode provocar um novo salto nas temperaturas, alimentando mais eventos climáticos extremos. Em 2025, ondas de calor, incêndios florestais, enchentes, secas e ciclones tropicais causaram milhares de mortes e bilhões em perdas econômicas. Somente os incêndios florestais na Califórnia, em janeiro do ano passado, provocaram mais de 60 bilhões de dólares (R$ 317 bilhões) em danos e se tornaram o evento desse tipo mais caro já registrado. O relatório ressaltou ainda o crescente impacto das mudanças climáticas sobre a saúde, incluindo a dengue – a doença transmitida por mosquitos que mais cresce no mundo. Enquanto isso, 1,2 bilhão de trabalhadores, mais de um terço da força de trabalho global, estão expostos a um calor perigoso todos os anos. As mudanças climáticas também estão provocando fome, migração e escassez de água, além de aumentar a competição por recursos cada vez mais limitados. Na última década, desastres relacionados ao clima forçaram 250 milhões de pessoas a deixar suas casas. A ONU traçou uma ligação direta entre a crise climática e a instabilidade global. Guerras e os próprios setores militares contribuem significativamente para o aumento das emissões que aquecem o planeta. "Nossa dependência de combustíveis fósseis está desestabilizando tanto o clima quanto a segurança global", destaca Guterres. O secretário-geral da ONU acrescentou que os países precisam agir rapidamente para descarbonizar, impedindo assim um aquecimento maior, e acelerar a transição para energia renovável, que proporciona segurança climática, energética e nacional. Terra em desequilíbrio Aparecendo pela primeira vez como um indicador no relatório da OMM, o desequilíbrio energético da Terra – ou seja, a diferença entre a energia solar que entra na atmosfera e o calor que escapa de volta para o espaço – atingiu um recorde em 2025. Em um clima estável, a quantidade de energia que o Sol envia e a que deixa o planeta é igual. No clima atual, muito mais energia entra do que sai, porque os gases de efeito estufa atuam como um cobertor ao redor do planeta, prendendo calor em excesso em seus sistemas. Aproximadamente 91% dessa energia é absorvida pelos oceanos, 5% pela terra, 3% por mantos de gelo e geleiras, e 1% aquece a atmosfera. "As atividades humanas estão perturbando cada vez mais o equilíbrio natural, e nós viveremos com essas consequências por centenas e milhares de anos", disse a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo. O impacto nos oceanos Os oceanos são o principal reservatório de energia térmica do planeta, e protegem a vida na Terra dos piores impactos das mudanças climáticas. Mas o aquecimento oceânico bateu recordes novamente em 2025, pelo nono ano consecutivo, com 90% de sua superfície do oceano enfrentando pelo menos uma onda de calor marinha, apesar do resfriamento causado pela La Niña. Os autores do relatório afirmaram que não há sinal de que esse dissipador térmico esteja enfraquecendo, mas observaram que o aquecimento está aumentando em todas as camadas do oceano, incluindo as águas profundas. As mudanças na temperatura oceânica agora são irreversíveis em escalas de tempo de séculos a milênios. Mesmo reduções significativas nas emissões hoje não impediriam o aquecimento dos oceanos neste século, devido ao desequilíbrio energético do sistema terrestre, segundo o relatório. O custo humano do aquecimento dos oceanos é imenso. Cerca de 3 bilhões de pessoas dependem de frutos do mar como fonte de proteína, mas o aumento das temperaturas está branqueando corais, reduzindo populações de peixes e enfraquecendo a capacidade dos oceanos de absorver CO2. Mares mais quentes também alimentam tempestades mais poderosas e aceleram a perda de gelo nos dois polos, elevando o nível do mar, e ameaçando assim cidades e áreas costeiras. O gelo marinho no Ártico e na Antártida esteve entre os níveis mais baixos já registrados, enquanto a perda de massa das geleiras ficou entre os cinco piores anos desde o início dos registros, em 1979. As geleiras são essenciais para fornecer água a 2 bilhões de pessoas. O relatório da OMM não faz recomendações de políticas públicas. Mas afirma que suas conclusões devem ajudar governos e organizações a se preparar e se adaptar ao aumento de eventos climáticos extremos relacionados às mudanças climáticas. Por exemplo, dados meteorológicos e climáticos poderiam ser incorporados a sistemas de informação de saúde para permitir uma resposta mais proativa, capaz de salvar vidas. "Quando observamos hoje, não estamos apenas prevendo o clima, estamos protegendo o amanhã. As pessoas de amanhã. O planeta de amanhã", conclui a secretária-geral da OMM.

FONTE: https://g1.globo.com/meio-ambiente/noticia/2026/03/23/terra-em-desequilibrio-onu-alerta-para-impactos-climaticos-que-vao-durar-seculos.ghtml


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