Tribunal da Inglaterra nega recurso da BHP e mantém condenação pelo desastre de Mariana

  • 19/01/2026
(Foto: Reprodução)
Tribunal da Inglaterra nega recurso da BHP e mantém condenação pelo desastre de Mariana. Jornal Nacional/ Reprodução A Justiça do Reino Unido negou nesta segunda-feira (19) o pedido da mineradora BHP para recorrer de uma decisão que a considera legalmente responsável pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, na Região Central de Minas Gerais, ocorrido em 2015. A justiça inglesa manteve o entendimento de primeira instância que reconheceu a responsabilidade da BHP pelo rompimento da barragem de Fundão, considerado o maior desastre ambiental da história do Brasil (relembre o caso mais abaixo). Na decisão, a magistrada afirmou que os fundamentos apresentados pela BHP “não têm nenhuma perspectiva real de sucesso” e que não há motivo convincente para que o recurso seja apreciado. Segundo o Tribunal, o julgamento envolveu a aplicação do direito brasileiro como questão de fato, com base em provas periciais e factuais extensas. Em novembro do ano passado, o Tribunal Superior da Inglaterra decidiu que a BHP tinha responsabilidade legal pelo colapso da barragem, que era de propriedade e operada pela Samarco — uma junção de empresas formada pela BHP e pela Vale. Para a justiça, o rompimento da barragem ocorreu por negligência, imprudência e imperícia da BHP. A decisão também reconheceu que as ações foram ajuizadas dentro do prazo legal e autorizou que municípios brasileiros prossigam com suas demandas na Justiça inglesa. Durante a audiência realizada em dezembro, representantes das vítimas argumentaram que a mineradora tentava reverter conclusões detalhadas de um julgamento que durou cinco meses, tratando discordâncias com o resultado como supostas falhas processuais. O Tribunal rejeitou essa tese e considerou que a estratégia equivaleria, na prática, à tentativa de obter um novo julgamento. Apesar da decisão, a BHP ainda poderá, em até 28 dias, solicitar autorização para recorrer à Corte de Apelação da Inglaterra. O g1 entrou em contato com a BHP e aguarda retorno. Custas processuais e próximos passos O Tribunal determinou que a BHP pague 90% das custas dos autores referentes à fase do processo que analisou a responsabilidade da mineradora. Além disso, a empresa terá de fazer um pagamento antecipado de £ 43 milhões, o equivalente a cerca de R$ 270 milhões. Segundo a decisão, esse valor cobre apenas os custos da primeira etapa do julgamento, e o total das despesas só será definido ao final da ação. As próximas fases do processo vão analisar a relação entre o desastre e os prejuízos causados, além dos valores de indenização devidos às pessoas, comunidades, empresas e municípios atingidos. O julgamento dessa etapa está previsto para começar em outubro de 2026. Relembre a Tragédia de Mariana Mariana, 10 anos: ninguém foi condenado por tragédia que matou 19 e contaminou Rio Doce O rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, na Região Central de Minas Gerais, ocorreu em 5 de novembro de 2015 e é considerado o maior desastre ambiental da história do Brasil. A barragem liberou cerca de 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração. A enxurrada de rejeitos de mineração destruiu comunidades inteiras, como Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo, matou 19 pessoas e atingiu a bacia do Rio Doce, causando impactos ambientais, sociais e econômicos em dezenas de municípios de Minas Gerais e do Espírito Santo. Dez anos após o rompimento da barragem de Fundão, ninguém foi condenado criminalmente no Brasil. Em 2023, a Justiça Federal absolveu a mineradora Samarco — controlada pela Vale e pela BHP — e outros acusados, por entender que não foi possível comprovar a responsabilidade individual dos réus, decisão que é contestada pelo Ministério Público Federal. Mesmo após uma década, moradores das áreas atingidas afirmam que a reparação segue incompleta. Um novo acordo firmado entre as empresas e o poder público prevê cerca de R$ 170 bilhões para ações de compensação e recuperação socioambiental, mas entidades e atingidos criticam a lentidão das medidas e a falta de responsabilização. O caso ainda tramita em outras frentes judiciais, inclusive no exterior, enquanto comunidades afetadas seguem cobrando justiça e garantias de reparação definitiva. LEIA TAMBÉM BHP, acionista da Samarco, é condenada pela Justiça inglesa em processo sobre rompimento de barragem em Mariana Mariana, 10 anos: ninguém foi condenado por tragédia que matou 19 pessoas, destruiu comunidades e contaminou Rio Doce Nove anos após desastre, Justiça absolve Samarco pelo rompimento da barragem de Mariana Vídeos mais vistos no g1 Minas Gerais

FONTE: https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/2026/01/19/tribunal-da-inglaterra-nega-recurso-da-bhp-e-mantem-condenacao-pelo-desastre-de-mariana.ghtml


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