'Vazio muito grande na alma': famílias relatam dor de perder mães e filhas mortas por feminicídio

  • 31/03/2026
(Foto: Reprodução)
Feminicídios apontam para necessidade de reforço do sistema de proteção às mulheres Minas Gerais terminou 2025 com 177 mulheres assassinadas. Mais do que vítimas, são 177 famílias dilaceradas por perdas insuperáveis. Kate Emanuelle da Costa, de 37 anos, foi morta no dia 10 de dezembro de 2024. Vizinhos ouviram gritos vindos da casa dela. Eles tentaram, mas não conseguiram impedir que o companheiro dela, Marcus Vinícius Lopes, a matasse, a sangue frio, com várias facadas. Ela deixou oito filhos. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 MG no WhatsApp "Com certeza, nada que fizer vai ocupar o lugar dela. É uma falta, uma dor que a gente vai conviver com ela para o resto das nossas vidas. Mas a gente crê que em Deus tudo vai dar certo. E tenta tocar a bola pra frente", disse o filho mais velho. Hoje com 20 anos, é ele quem cuida dos irmãos. Recém-saído da adolescência, o rapaz, agora, é mãe e pai. Para sustentar a família, ele trabalha como motoboy, DJ e produtor musical. "Minha primeira reação foi ver meus irmãos para saber onde eles estavam e de tomar as providências para cuidar deles. Tudo o que me restou são eles. [...] Eu faço a janta, lavo a roupa, levo na escola, tem que levar no posto, nas consultas. É difícil, mas a gente vai encaixando tudo", falou. Kate Emanuelle da Costa, de 37 anos, foi morta a facadas. Suspeito é o companheiro da vítima. Reprodução/TV Globo Órfãos da violência Em 2025, o Brasil registrou recorde de feminicídios. Foram 1.470 casos, uma média de quatro mulheres assassinadas por dia. Minas Gerais ficou em segundo lugar nesse ranking. O país consegue quantificar as mortes, mas não dá conta de medir as tantas vidas que ficam marcadas depois disso. "Não se fala nisso. Mas se você for fazer pesquisas acadêmicas sobre adolescentes, por exemplo, infratores, com os quais eu lidei ao longo de vários anos, todos são vítimas de famílias desestruturadas, de lares de agressividade. [...] Até onde vai a responsabilidade do estado? Ela se exaure ali na aplicação da pena? Não. Com uma sentença? Não. Isso é abandono", afirmou a desembargadora Valéria Rodrigues. No âmbito federal, o governo regulamentou uma pensão para filhos de vítimas de feminicídio. Um salário mínimo por mês até os 18 anos de idade. Para receber, a família deve ter cadastro atualizado no CadÚnico, e a renda familiar por pessoa não pode ultrapassar um quarto do salário mínimo. Crianças presenciam crime Um estudo da Universidade Estadual de Londrina mostra que, em 2025, 1.653 crianças e adolescentes ficaram órfãos no Brasil. Em 30% dos crimes, os filhos estavam presentes. É o caso da filha de Cinthya Micaelle Soares Roliz, que viu o próprio pai atirar cinco vezes contra o rosto da mãe, em 31 de dezembro de 2025. Desde então, é a avó quem cuida da menina. "Quando ela fez os gestos que ele fez, eu não acreditei. Eu nunca tinha visto ela fazer isso. Ela falou: 'O Alex fazia assim, ó: pow, pow, pow'. Fazia com o dedinho, com a mãozinha assim. Respingou sangue no rostinho dela. Ela ficou em choque", disse a avó, Angela Fernandes Soares. Cinthya Micaelle Soares Roliz, assassinada em Belo Horizonte nesta quarta-feira (31) Arquivo pessoal Depois de assassinar a ex-mulher, Alex de Oliveira Souza fugiu. Ele foi preso 22 dias depois e confessou o crime. O homem não respeitou a medida protetiva que a Justiça havia concedido à Cinthya. Angela diz que a filha não foi protegida pelo estado, mas sente que os agressores são. "Eu acho que protege demais. Porque, se pegar e quando pegam eles, eles têm direito à defesa, ficam dois, três anos presos e soltam. A família que fica. Eu coloco a minha cara mesmo, eu não tenho medo. O que eu tinha pra perder, eu perdi, que foi minha filha", falou. Dor sem nome Se filhos que perdem os pais ficam órfãos, a dor dos pais, quando perdem os filhos, nem nome tem. "É como se perdesse um pouquinho de você, um pedaço de você. Você perde a alegria, que é um dos motivos mais importantes que a gente tem para viver. Você perde a esperança, que é o que nos motiva. E você perde, você desacredita no ser humano como pessoas civilizadas. [...] Fica um vazio muito grande na alma. E a esperança de um dia poder vê-la novamente", falou o vigilante e músico Renato Xisto da Silva, pai de Vitória Alves Silva, que foi assassinada com apenas 22 anos. Wálef Gonçalves, o ex-noivo, esfaqueou a jovem num fim de tarde, no meio da rua, diante de câmeras de segurança, em 7 de agosto de 2024. "O dia seguinte é como se você tivesse dormido e acordasse no meio de um pesadelo, e você não acredita que isso realmente está acontecendo. Você vê uma foto ou um vídeo dela crescendo, falando 'papai'. Você acompanhar numa formatura ou numa escola, colocar num especial, e a visão de você vê-la num caixão. Não dá para acreditar, é muito dolorido". Vitória Alves Silva tinha 22 anos e foi assassinada pelo ex-namorado Reprodução/Arquivo pessoal Veja a história de sobrevivência e resistência de mulheres vítimas de violência Vídeos mais vistos no g1 Minas: F

FONTE: https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/2026/03/31/vazio-muito-grande-na-alma-familias-relatam-dor-de-perder-maes-e-filhas-mortas-por-feminicidio.ghtml


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